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Ted Cruz alimenta ira dos republicanos ao recusar-se a apoiar Trump

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Chip Somodevilla

Ao terceiro dia do encontro nacional do Partido Republicano, que na terça-feira formalizou a candidatura de Donald Trump à Casa Branca, o principal rival do magnata populista limitou-se a dar-lhe os parabéns. Fúria dos delegados eleitorais obrigou Heidi Cruz a ser escoltada para fora do recinto

Se dúvidas restavam sobre o empenho de Ted Cruz em não abandonar as suas aspirações à presidência, dissiparam-se todas na quarta-feira, ao terceiro e penúltimo dia da Convenção Nacional Republicana, que termina esta quinta-feira em Cleveland, no Ohio, e que já confirmou formalmente a candidatura de Donald Trump às eleições de novembro próximo.

Esta quarta-feira, no dia em que o governador Mike Pence foi aprovado pelos delegados eleitorais para ser o candidato à vice-presidência numa eventual administração Trump, Cruz mandou uma pedra ao charco ao tornar-se na única das grandes figuras do encontro deste ano a não dar o seu apoio formal ao candidato presidencial republicano.

Quando subiu ao palco para discursar, o senador pelo Texas limitou-se a congratular o seu rival na corrida por ter vencido as primárias do partido e pediu aos membros do partido que "votem em alguém em quem confiam". Os delegados presentes, numa repetição das cenas de caos e zaragatas que têm marcado esta convenção, foram ficando mais e mais revoltados a cada frase proferida por Cruz, vaiando o senador e gritando, irados, "Queremos o Trump!" e "Apoia o Trump!" Os ânimos exaltaram-se de tal forma que a mulher do evangélico, Heidi Cruz, teve de abandonar o recinto sob escolta.

Na segunda-feira, ao primeiro dia da convenção de quatro dias — e apesar de Cruz não ter feito qualquer aparição então — já se adivinhava que não iria dar o seu apoio formal a Trump, com os delegados do Texas a mobilizarem representantes de outros estados para tentarem que as regras da convenção fossem votadas estado a estado, por forma a encontrar uma maneira de impedir a candidatura de Trump. Essa rebelião travada foi vista pelos analistas como um esforço de Cruz abrir já caminho à sua candidatura presidencial pelo partido em 2020.

Antes de o magnata alcançar o mínimo de 1237 delegados necessários para garantir a nomeação republicana, a maioria do partido estava contra ele e chegou a antever-se a possibilidade de uma convenção aberta — um fenómeno raro na política norte-americana em que nenhum dos candidatos à nomeação de um partido obtém os delegados suficientes, permitindo que outros, até indivíduos que foram candidatos no processo de primárias, possam ser escolhidos para disputarem as Presidenciais.

À medida que Trump se foi aproximando da fasquia mínima de representantes eleitorais a cada votação estatal, mais e mais figuras e líderes do partido foram abandonando o tom crítico e mordaz e assumindo que iam apoiá-lo para impedirem a vitória de Hillary Clinton e do seu Partido Democrata.

Outros tantos continuam a dizer que, pela primeira vez nas suas carreiras, vão votar na candidata da oposição porque a possibilidade de um Trump presidente é "demasiado assustadora", comprovando que, apesar da aparente união neste encontro nacional, o partido continua profundamente dividido.