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Internacional

Situação política na Turquia faz Mario Gomez deixar o Besiktas

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Claudio Villa/Getty images

O jogador alemão, que o ano passado deu uma contribuição importante para o clube vencer o campeonato pela primeira vez desde 2009, explica que deseja voltar, quando as coisas normalizarem

Luís M. Faria

Jornalista

O jogador alemão Mario Gomez anunciou que vai deixar o Besiktas, clube turco ao qual foi emprestado pelo Fiorentina há um ano. Na última temporada, o Besiktas venceu o campeonato turco, em parte graças à contribuição de Gomez, que marcou 26 golos. O jogador é muito popular na Turquia, e havia a expectativa de que o empréstimo se convertesse em situação definitiva. Mas Gomez decidiu o contrário.

"A razão é completamente pela situação política", explicou aos fãs nos social media, "Não há motivos desportivos ou de outra índole que me tenham feito tomar esta decisão. Tem puramente a ver com os acontecimentos terríveis que se produziram nos últimos dias. Espero que os problemas políticos possam ser resolvidos de maneira pacífica em breve. A seguir seria um grande prazer voltar a jogar pelo Besiktas".

É uma justificação compreensível num jogador oriundo de um país que leva respeito pelos direitos humanos extremamente a sério. Desde à falhada tentativa de golpe de Estado na semana passada, o presidente Erdogan lançou uma purga geral de inimigos ou presumíveis inimigos (ele fala em eliminar um "vírus") que já atingiu largos milhares de pessoas, incluindo militares, juízes e muitos outros. Instituiu igualmente o estado de emergência na Turquia, e considera restaurar a pena de morte, contra as objeções veementes de Bruxelas, para quem isso implicaria o fim de quaisquer perspetivas de adesão do país à União Europeia.