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Sanções: Espanha pede mais dois anos para cortar o défice

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JULIEN WARNAND / EPA

Segundo o “El País”, o ministro da Economia espanhol deverá comprometer-se em Bruxelas a diminuir para 3,0% do PIB o desequilíbrio das finanças públicas em 2018 e não em 2016

O diário espanhol “El País” noticia esta quinta-feira que Espanha pediu a Bruxelas dois anos extras para baixar o défice", comprometendo-se a diminuir para 3,0% do PIB o desequilíbrio das finanças públicas em 2018 e não em 2016.

"A incerteza política e o reconhecimento de que a evolução da receita vai pior do que o esperado levarão Luís de Guindos a pedir à UE para alargar em dois anos, até finais de 2018, o prazo para reduzir o défice abaixo dos 3,0%", refere o diário espanhol.

Segundo escreve o correspondente do “El País” em Bruxelas, "fontes do executivo confirmaram" terça-feira que [o ministro da Economia espanhol, Luis de] Guindos, vai viajar esta quinta-feira para a China "para negociar com [o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre] Moscovici', esses dois anos adicionais".

Até agora, Luís de Guindos tinha-se mostrado partidário de a Espanha cumprir a regra europeia que prevê um défice público inferior a 3,0% do PIB um ano depois do inicialmente previsto, 2017 e não 2016, apesar de a Comissão Europeia ter oferecido na primavera um ano adicional, 2018.

"Tudo está em aberto", disse terça-feira o comissário europeu de nacionalidade espanhola Miguel Arias Cañete", a uma semana da decisão final sobre o procedimento de infração contra Espanha e Portugal.

A Comissão Europeia teve na terça-feira uma primeira discussão sobre o processo de sanções a Portugal e Espanha, mas ainda sem "quaisquer decisões" sobre multas e a questão da suspensão parcial de fundos só deverá ser apreciada em setembro.

Numa conferência de imprensa para dar conta das decisões tomadas pelo colégio de comissários na sua reunião semanal realizada esta quinta-feira em Bruxelas, o vice-presidente Maros Sefcovic apontou que, relativamente à "primeira discussão sobre a situação orçamental em Espanha e Portugal", não foi tomada qualquer decisão, devendo a Comissão voltar a discutir as propostas de multas "na próxima semana".

Já quanto ao congelamento parcial de fundos estruturais para 2017, a que a Comissão deve legalmente proceder uma vez desencadeado, a 12 de julho passado, pelo Conselho Ecofin, o processo de sanções aos dois países devido ao défice excessivo, a questão só deverá ser abordada na 'rentrée', já que o Parlamento Europeu solicitou ao executivo comunitário um "diálogo estruturado" sobre esta matéria, anunciou o comissário.

O ministro da Economia espanhol participa no próximo fim de semana numa reunião do G20 (os países mais ricos do mundo) em Chengdu, China, onde estarão presentes outros dirigentes europeus muito influentes no processo de infração em curso contra Espanha e Portugal.