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Internacional

Panamá abre investigação à invasão norte-americana de 1989

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"Proibido esquecer, 20 de dezembro, luto nacional"

TERESITA CHAVARRIA

Intervenção dos EUA na nação da América Central a mando de George H. W. Bush levou à deposição do general Manuel Noriega. Quase 27 anos depois, Governo panamiano quer apurar quantas pessoas morreram e se os seus familiares devem receber indemnizações

O Governo panamiano de Juan Carlos Varela anunciou a abertura de uma investigação à invasão do país pelos norte-americanos entre 20 de dezembro de 1989 e 31 de janeiro de 1990, que culminou na deposição do general Manuel Noriega.

A comissão criada sob ordens do Presidente vai determinar quantas pessoas morreram durante a operação militar dos Estados Unidos e tentar idenficá-las todas. Oficialmente, 514 soldados e civis panamianos perderam a vida, mas vários grupos de ativistas locais dizem que o balanço real de vítimas ronda as mil. A mesma comissão terá a ser cargo apurar se as famílias dos mortos devem ou não receber compensações pela sua perda.

"O Panamá quer curar as suas feridas", disse a vice-presidente e ministra dos Negócios Estrangeiros, Isabel de Saint Malo. "Não pode haver qualquer reconciliação se a verdade não for conhecida."

Noriega, atualmente com 83 anos, está a cumprir uma pena de 20 anos de prisão no Panamá por ter ordenado o desaparecimento forçado de dissidentes e opositores durante o seu regime, entre 1983 e 1989, e pelo homicídio do médico e opositor Hugo Spadafora.

Antes disso, o general cumpriu parte de uma sentença de 30 anos de prisão nos Estados Unidos por tráfico de cocaína e marijuana para o país, sendo mandado para França em 2010, onde foi julgado e condenado por lavagem de dinheiro, e expatriado para o seu país-natal no ano seguinte.