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Nigel Farage na mira de milhares de britânicos por incitamento ao ódio

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PHIL NOBLE / Reuters

Quase 40 mil pessoas assinaram uma queixa-crime contra o ex-líder do UKIP, que foi entregue quarta-feira na esquadra da polícia de Kentish Town, em Londres

Uma queixa assinada por 39.800 britânicos foi entregue na quarta-feira na esquadra da polícia do distrito londrino de Kentish Town contra Nigel Farage, um dos grandes defensores da saída da União Europeia que, há duas semanas, abandonou a liderança do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP).

De acordo com “The Independent”, que avança a notícia em exclusivo esta quinta-feira, os queixosos acusam o porta-estandarte do Brexit de incitar ao ódio racial e religioso durante a campanha para o referendo de 23 de junho, no qual 52% dos britânicos que foram às urnas votaram a favor do Brexit.

Em particular está em causa o último cartaz da campanha que Farage revelou a poucos dias da consulta popular, e que coincidiu com o momento em que a deputada trabalhista Jo Cox foi morta a sangue frio no norte de Inglaterra por um nacionalista anti-imigração com ligações a grupos neonazis.

No cartaz em questão, o UKIP usou uma imagem de centenas de refugiados numa das fronteiras internas da UE, na Europa central, captada a milhares de quilómetros de distância do Reino Unido, com a legenda: “Breaking Point [Ponto de rutura]: a UE falhou-nos a todos”.

As críticas surgiram de imediato, pelo facto de Farage equiparar e reduzir a UE à onda de imigração causada por guerras e repressões violentas no Médio Oriente e em África, recorrendo a uma imagem onde só estão representadas minorias étnicas, as mesmas que o UKIP e muitos dos eleitores que votaram a favor do Brexit querem fora do território britânico.

A polícia já criou um número de registo para o processo, não sendo possível para já antever o potencial desfecho da ação popular. De acordo com uma sondagem recente divulgada pelo Conselho Nacional de Chefes da Polícia do Reino Unido, houve um aumento de 42% no número de crimes de ódio raciais e religiosos durante e no rescaldo da campanha para o referendo.

Entre os incidentes denunciados nas redes sociais contam-se vários episódios de insultos e ameaças a pessoas que falam outra língua que não o inglês e a multiplicação de graffitis anti-imigração em Londres, como aquele que foi pintado no centro cultural polaco em Hammersmith.

“Temos de enviar um sinal claro de que, em todas as campanhas políticas e na vida pública, o racismo e a intolerância religiosa não podem ser usadas para atrair apoiantes”, diz Zack Newman, criador da petição no Change.org que originou esta queixa.

De acordo com “The Independent”, que teve acesso ao documento, o novo melhor amigo de Donald Trump é acusado de discurso de ódio e na queixa são citadas declarações suas que servem de prova a essa acusação, entre elas:

“Penso que é legítimo dizer que, se as pessoas sentem que perderam totalmente o controlo sobre as nossas fronteiras e se nós perdemos totalmente o controlo das nossas fronteiras como membros da UE, e se as pessoas sentem que votar não altera nada, então a violência é o próximo passo”

“Quando o ISIL [Daesh] diz que vai usar a onda de migrantes para inundar a Europa com 500 mil dos seus jiadistas, penso que é melhor ouvirmos”

“Se permitirmos o acesso ilimitado de um enorme número de homens jovens ao continente europeu, que vêm de países onde as mulheres são, na melhor das hipóteses, cidadãs de segunda categoria, não fiquem surpreendidos se as cenas que vimos em Colónia acontecerem mais vezes”.