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Theresa May diz que não teria problemas em autorizar ataque nuclear

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WILL OLIVER/EPA

Primeira-ministra britânica acusada de transformar "segurança nacional em jogo político", após responder com um claro "sim" à pergunta de um deputado escocês sobre se autorizaria pessoalmente um ataque nuclear que poderia resultar na morte de 100 mil inocentes

A nova primeira-ministra do Reino Unido declarou durante um debate no parlamento britânico que está disposta a autorizar um ataque nuclear, mesmo que ele ponha em causa 100 mil vidas, para mostrar que "o objetivo de meios de intimidação" como esse é deixar claro aos inimigos que o país está preparado para os usar.

Durante as mais de cinco horas de debate do programa militar Tridente na segunda-feira, cuja renovação foi aprovada por uma maioria de 355 deputados, Theresa May gerou sobressalto ao responder sem qualquer dúvida à questão de um deputado escocês sobre se estaria disposta a matar 100 mil inocentes num ataque nuclear.

"Estaria pessoalmente preparada para autorizar um ataque nuclear que poderia matar 100 mil homens, mulheres e crianças inocentes?", perguntou o deputado do Partido Nacionalista Escocês (SNP) George Kerevan. "Sim", respondeu a sucessora de David Cameron. "E devo dizer aos honrados deputados que o objetivo de meios de intimidação é que os nossos inimigos entendam que estamos preparados para usá-los, ao contrário de algumas sugestões de que podemos ter meios de intimidação e na verdade não estar dispostos a usá-los, feitas pela bancada do Partido Trabalhista", argumentou a nova chefe de Governo e líder do Partido Conservador.

A garantia chegou depois de dois deputados do principal partido da oposição, o ministro-sombra da Defesa, Clive Lewis, e a ministra-sombra dos Negócios Estrangeiros, Emily Thornberry, se terem abstido na votação do programa Tridente após assinarem um artigo de opinião no "The Guardian" onde acusam o novo Governo de transformar "um assunto de segurança nacional num jogo político".

Para a votação de ontem, que viu ser aprovada uma despesa de até 40 mil milhões de libras (47 mil milhões de euros) com a substituição de quatro submarinos que transportam ogivas nucleares, o líder do Partido Trabalhista não impôs disciplina de voto aos seus deputados.

O resultado foi a aprovação do Tridente por 355 deputados, a soma de toda a bancada conservadora e mais de metade dos deputados trabalhistas. Reagindo às declarações incendiárias de May, Jeremy Corbyn, o líder do partido da oposição, defendeu mais esforços pelo desarmamento nuclear e sublinhou que a postura de 140 deputados da sua bancada a favor do programa nuclear está a ser revista. Contra o Tridente votaram quase metade dos trabalhistas, incluindo Corbyn, todos os deputados do SNP e os liberais democratas.