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Internacional

Marrocos quer voltar à União Africana depois de 32 anos de zanga

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FADEL SENNA

País abandonou a organização em 1984, em protesto pelo facto de todos os outros membros terem reconhecido o direito do Sara Ocidental à independência

Marrocos anunciou formalmente o seu desejo de voltar a integrar a União Africana (UA), 32 anos depois de ter abandonado a organização regional por não aceitar a independência do Sara Ocidental.

Numa mensagem enviada à cimeira da organização, que decorreu este fim de semana no Ruanda, o rei Mohammed VI de Marrocos disse que chegou a altura de o país retomar o seu lugar no seio daquela família institucional que é a sua.

Há mais de três décadas que Marrocos se recusava a reintegrar a UA, como forma de protesto pelo facto de todos os outros Estados-membros da união terem reconhecido o direito do povo sarauí à autodeterminação. Por causa dessa disputa, em março o reino ameaçou retirar todos os seus soldados das missões de capacetes azuis da ONU.

Os marroquinos descrevem os territórios ocupados do Sara Ocidental como as suas "províncias do sul" e recusam-se, até hoje, a reconhecer o direito dos sarauís à independência, mantendo desde 1975 uma ocupação brutal e violenta da ex-colónia de Espanha, uma faixa de território delimitada a oeste pelo oceano Atlântico, a norte por Marrocos e a leste pela Mauritânia e pela Argélia.

Atualmente, Marrocos é o único país do continente africano que não integra a UA, uma organização de 54 nações (incluindo o Sara Ocidental e excluindo, para já, Marrocos), que foi criada em 2002 com um modelo semelhante ao da União Europeia, em substituição da anterior Organização da Unidade Africana, fundada em 1963.

Em resposta ao pedido marroquino de readesão, e após o país ter enviado uma equipa de lobby para a cimeira deste fim de semana em Kigali, o porta-voz da UA disse que a organização vai continuar a ecigir o respeito pelos direitos do povo sarauí, entre eles o direito a votarem a sua autodeterminação em referendo.