Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Líder da oposição da Irlanda sugere referendo à reunificação com o Norte

  • 333

PAUL FAITH

Secretário-geral do Fianna Fáil classifica chumbo do Brexit por 56% dos eleitores norte-irlandeses no referendo britânico como "momento decisivo para a região"

O líder do principal partido da oposição irlandês diz ter esperanças de que o Brexit aproxime mais a Irlanda da reunificação. Micheál Martin dá a entender que apoia as aspirações de parte dos habitantes da Irlanda do Norte de uma consulta popular para decidir a saída da região do Reino Unido, de forma a poder ficar na UE.
Num discurso numa universidade de verão, Martin, líder do partido conservador Fianna Fáil, disse que “pode bem ser que a decisão da Irlanda do Norte de opôr à maioria inglesa e anti-UE seja um momento decisivo para a região” e defendeu que não se pode ignorar o facto de a maioria dos norte-irlandeses (56%) querer permanecer no bloco europeu.
“O voto a favor da permanência [na UE] mostra que as pessoas precisam de repensar os atuais acordos. Espero que isto nos aproxime de um apoio da maioria à reunificação e que, se tal acontecer, haja um referendo à reunificação [da Irlanda]”, disse Martin.

Irlanda do Norte e Escócia querem ficar na UE

A 23 de junho, quando os habitantes de Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte foram chamados a pronunciar-se sobre o futuro do Reino Unido na UE, 52% dos eleitores votaram a favor da saída, sendo na sua maioria de Inglaterra e Gales. Tal como aconteceu na Escócia, na Irlanda do Norte, onde se situa a única fronteira terrestre do reino com o bloco europeu (com a Irlanda, que é um Estado-membro de pleno direito), a maioria votou a favor da UE e contra o Brexit.
Desde esse referendo, os debates públicos e políticos na Irlanda e na Irlanda do Norte têm girado em torno do futuro da região, temendo-se que as dezenas de milhares de pessoas que todos os dias atravessam a fronteira para trabalhar, fazer compras e viajar, possam ser afetadas pela decisão do Reino Unido de abandonar a UE.
Na semana passada, o novo ministro brtiânico para assuntos da Irlanda do Norte, James Brokenshire, insistiu que não quer a reintrodução de controlos na fronteira com a Irlanda, mesmo que o novo Governo britânico, chefiado por Theresa May, avance com a suspensão da circulação livre de pessoas.
Martin, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros cujo partido está neste momento à frente nas sondagens, diz que “quaisquer novas barreiras entre as duas partes da ilha podem potencialmente atrasar-nos décadas”.O líder do Fianna Fáil admite, contudo que a consulta sobre a reunificação irlandesa não está para brevevista. “Neste momento a única prova que temos é a de que a maioria da população da Irlanda do Norte quer manter as fronteiras abertas e permanecer no mercado único nesta jurisidição e no resto da Europa.”