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“Eu amo ser quem sou”: defendia a liberdade das mulheres, o irmão matou-a

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REUTERS

Caso está a abalar o Paquistão, mas em causa está um problema que é do mundo inteiro

Tinha perto de 750 mil seguidores no Facebook e os seus vídeos tornaram-se virais, gerando grande debate no Paquistão: de um lado a indignação dos mais conservadores, do outro os elogios das feministas. Conhecida como Qandeel Balock, esta paquistanesa de 26 anos tornou-se uma estrela das redes sociais ao desafiar os costumes vigentes.

Os vídeos em que falava sobre os seus cortes de cabelo ou sobre as paixões que nutria por celebridades não eram muito distintos dos publicados por inúmeras outras raparigas da sua idade por todo o mundo. No seu país, a sua atitude acabou por se revelar demasiado “ultrajante”. Em especial quando começou a desafiar mais abertamente o papel de submissão para o qual as mulheres são relegadas, num registo de maior provocação.

O post onde anunciou que iria fazer um show de striptease se o Paquistão ganhasse à Índia em cricket ganhou tremendo destaque, tal como uma foto no Instagram na qual surgia acompanhada de Mufti Abdul Qavi, um alto membro do clero - uma publicação que faria manchetes nos jornais do Paquistão, acabando por levar à suspensão de Qavi de um dos comités religiosos.

“Eu acredito que eu sou uma feminista dos tempos modernos. Eu acredito na igualdade. Eu não preciso de escolher que tipo de mulher devo ser. Eu não acho que haja qualquer necessidade de nos classificarmos em função da sociedade. Eu sou apenas uma mulher com pensamentos e uma mente livre e EU AMO SER QUEM SOU”, escreveu no Facebook.

Apesar do destaque que granjeara, pouco divulgava da sua vida pessoal nas redes sociais, não se sabendo sequer em que cidade residia. Alguns dias antes da sua morte, os media locais revelaram que o seu verdadeiro nome era Fauzia Azzem e que se tinha casado aos 17 anos e deixado o marido um ano depois.

Soube-se depois que, na realidade, Qandeel vivia sob grandes constrangimentos e ameaças, temendo pela sua vida. Acabou por ser morta pelo irmão, que a drogou e estrangulou e que, após ter sido capturado pela polícia, justificou o crime por ela ter “desonrado a família”.

“Ela apoiava-nos a todos, incluindo o meu filho que a matou”, declarou agora o seu pai, Mohammad Azeem, em declarações ao jornal “Dawn”.

A morte de Fauzia deu lugar a um grande debate no Paquistão sobre os “crimes de honra” e sobre qual será o “comportamento aceitável” das mulheres paquistanesas nas redes sociais.