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Turquia apela aos EUA para extraditarem mentor do golpe de Estado falhado

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Alex Wong/GETTY

O apelo foi feito pelo Presidente turco. John Jerry já garantiu que os EUA vão apoiar a Turquia na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado e instaram o país a partilhar qualquer prova que tenha contra o imã Fehtullah Gulen

O Presidente turco, Recep Erdogan, apelou aos Estados Unidos para que extraditem o imã Fehtullah Gulen, que acusa de ser o mentor do golpe de Estado falhado, para que enfrente a justiça turca.

"Estados Unidos: Vocês devem extraditar aquela pessoa", disse perante milhares de apoiantes em Istambul, referindo-se a Gulen, exilado nos Estados Unidos e que negou qualquer envolvimento na tentativa de golpe de Estado na Turquia, esta sexta-feira.
Erdogan afirmou que já disse, por diversas vezes, ao Presidente norte-americano, Barack Obama, que Gulen ameaça a segurança da Turquia e deveria ser extraditado.

"Senhor Presidente, eu já lhe disse: ou deporta ou entrega-nos esta pessoa que vive num terreno de 400 acres na Pensilvânia", disse o chefe de Estado turco, que nunca se referiu a Gulen pelo seu nome.

"Eu disse-lhe que ele estava envolvido em golpes, mas não me deram ouvidos. Agora, depois do golpe, eu volto a dizê-lo. Entreguem este homem que vive na Pensilvânia à Turquia", sublinhou.

O secretário de Estado norte-americano, John Jerry, garantiu que os Estados Unidos vão apoiar a Turquia na investigação sobre o golpe falhado e instaram a Turquia a partilhar qualquer prova que tenha contra Gulen.

Imediatamente após ter chegado na sexta-feira à noite ao aeroporto de Istambul para recuperar o controlo do país, o Presidente turco acusou o imã e o seu movimento de estar por detrás do golpe que o tentou remover.

Gulen é considerado "inimigo" do partido islamita no poder na Turquia, o AKP.

O movimento que apoia Gulen (Hizmet) já condenou o golpe, num comunicado em que sublinha que "há mais de 40 anos que Fethullah Gulen e o Hizmet têm defendido e demonstraram o seu compromisso com a paz e a democracia".

Em 2013, o fundador do poderoso Movimento Gülen, com milhões de seguidores na Turquia, entrou em rutura com Erdogan e o seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no poder desde 2002), que apoiou na fase inicial da sua ascensão.

A Turquia foi alvo de uma tentativa de golpe de Estado na sexta-feira à noite, mas o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, disse que a situação no país "está completamente sob controlo".

O último balanço aponta para 161 mortos entre civis e forças leais ao presidente Recep Erdogan, 1.440 feridos e 2.839 militares revoltosos detidos.

Yildirim adiantou que 20 militares revoltosos morreram no decurso da tentativa de golpe de Estado, números que contrariam o balanço inicialmente avançado pelas Forças Armadas, que apontavam para 104 mortes de militares revoltosos, abatidos pelas forças leais ao presidente Erdogan.