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Manuel Valls: “Ataque não era evitável. Risco zero de terrorismo não existe”

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Primeiro-ministro francês admite que a luta contra o terrorismo será longa e haverá mais inocentes. Sobre as críticas da oposição responde: “Parem com controvérsias desnecessárias. Existirá sempre risco. A ameaça muda de forma”

Três dias após o atentado em Nice, Manuel Valls acusou a oposição de defender “políticas irresponsáveis”, recusando as acusações de que o governo francês não está a tomar as medidas necessárias para travar o terrorismo.

“O ataque de Nice não era evitável. Risco zero de terrorismo não existe. Parem com controvérsias desnecessárias. Haverá sempre risco. A ameaça muda de forma”, afirmou o primeiro-ministro francês numa entrevista publicada este domingo no “Journal du Dimanche”.

“Dizer o contrário é mentir aos nossos concidadãos e não ter entendido a natureza do desafio que temos perante nós”, insistiu.

Valls alertou que o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) está a apostado em atrair para a organização terroristas indivíduos instáveis ou com problemas psicológicos, que nem sequer são muçulmanos ferverosos, dificultando o trabalho dos serviços de Informação.

“O Daesh está a disparar em todas a direções e também incentiva indivíduos desequilibrados a se tornarem fundamentalistas de forma a darems entido às suas ações. A investigação irá demonstrar isso, sem dúvida”, acrescentou.

O chefe do governo gaulês apelou ainda à unidade nacional, defendendo que todos os partidos se deveriam unir em torno desta causa sobretudo neste momento. E deixou um alerta: a guerra contra o terrorismo será longa e ainda haverá mais inocentes. Contudo, o governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para vencer essa guerra.

Indemnizações em breve

A secretário de Estado para a assistência às vítimas, Juliette Méadel, prometeu este domingo, em Nice, que o Estado francês irá indemnizar rapidamente as vítimas e os familiares das vítimas, garantindo ainda prestar todo o apoio necessário. “Para a identificação o tempo é longo e cruel, mas necessária. O processo leva tempo. Prometo irei acompanhar a situação das vítimas e das suas famílias ao longo do tempo”

Na quinta-feira, um indivíduo franco-tunisino conduziu uma carrinha frigorífica aos ziguezagues contra uma multidão que estava no Passeio dos Ingleses, em Nice, a assistir ao fogo-de-artifício para assinalar o dia da Tomada da Bastilha. Pelo menos 84 mortos e mais de 200 ficaram feridas, entre eles um cidadão português.

François Hollande anunciou o prolongamento do estado de emergência por mais três meses e a mobilização de mais 10 mil militares e polícias. Convocou também a reserva nacional para dar apoio aos efetivos da polícia, sobretudo nas zonas de fronteira.