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Erdogan pondera repor pena de morte

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DIMITAR DILKOFF/AFP/Getty Images

“Nas democracias, as decisões são baseadas naquilo que o povo diz. Eu penso que o nosso Governo irá falar com a oposição e chegar a uma conclusão”, disse, reagindo ao pedido das multidões em Istambul, reclamando a pena capital, que foi abolida na Turquia em 2004

O Presidente turco, Recep Erdogan, afirmou este domingo que a Turquia irá considerar repor a pena de morte no país, após a tentativa de golpe de Estado da passada sexta-feira.

“Nas democracias, as decisões são baseadas naquilo que o povo diz. Eu penso que o nosso Governo irá falar com a oposição e chegar a uma conclusão”, disse, reagindo ao pedido das multidões em Istambul, reclamando a pena capital, que foi abolida na Turquia em 2004, no quadro da candidatura da adesão de Ancara à União Europeia. “Não podemos continuar a adiar isto, porque neste país, aqueles que lançam um atentado terão de pagar um preço por isso”, disse aos apoiantes, após participar em funerais de vítimas do golpe falhado.

Na sequência do golpe de Estado falhado, milhares de apoiantes de Erdogan apelaram ao regresso da pena de morte. A reposição da pena capital no país iria criar novas perturbações entre a União Europeia e Ancara, cujas conversações já estão num impasse.

Erdogan tem repetido os apelos para que os Estados Unidos extraditem Fethullah Gulen, a quem responsabiliza pela autoria do golpe. O Presidente refere-se ao imã e aos seus seguidores como uma organização terrorista. Gulen já recusou as acusações e sugeriu mesmo que Erdogan encenou o golpe. O imã condenou o levantamento militar “nos termos mais fortes” numa rara entrevista à imprensa na Pensilvânia, onde vive.

A Turquia foi alvo de uma tentativa de golpe de Estado na sexta-feira à noite, mas o presidente, Recep Erdogan, e Governo recuperaram o controlo do país no sábado. O último balanço do governo turco aponta para 290 mortos entre revoltosos (100) e civis e forças leais a Erdogan (190), mais de 1.400 feridos e cerca de 6.000 pessoas detidos, entre eles cerca de 2.900 militares.