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O trauma do referendo

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matthew horwood /getty

Na menor das nações que constituem o Reino Unido, muito ajudada pela UE, o ‘Brexit’ ganhou. Repercussões, reações, receios

Luís M. Faria

no País de Gales

Jornalista

A primeira pessoa que vi traumatizada com o resultado do referendo no Reino Unido foi um homem à espera do autocarro. Jovem, de cabelo curto, vestido com um fato cinzento-claro e uma camisa cor de rosa, encontrava-se numa paragem em frente ao Thompson Park, em Canton, um bairro próximo do centro de Cardiff, capital do País de Gales. Deviam ser umas sete horas, o que quer dizer que já havia luz do dia há pelo menos duas — tempo suficiente para começar a digerir o resultado final anunciado de madrugada. Cheguei à paragem no momento em que começava a chuviscar e abriguei-me sob os ramos de uma árvore que pendiam do lado de fora do parque, ainda fechado. O homem resolveu fazer a mesma coisa, e começámos a falar.

A conversa foi instantaneamente parar ao referendo. Ele estava muito preocupado, ou, talvez fosse mais exato dizer, antecipadamente resignado. Agente imobiliário, andava há algum tempo a tratar de um negócio que envolvia uma companhia estrangeira que decidira instalar-se em Cardiff e precisava de alugar escritórios. Agora, quase de certeza, a mudança já não ia acontecer.

Ao longo dos dias seguintes, lembrar-me-ia dessa conversa várias vezes. Cada vez que surgia a notícia de que uma empresa tinha suspendido os seus projetos em Gales ou na região de Cardiff, a história repetia-se. O caso mais comentado era o da Tata Steel. Há muito que essa multinacional indiana procurava um comprador para a sua grande fábrica em Port Talbot, onde emprega 4 mil pessoas, dando emprego indireto a outras 11 ou 12 mil. A saída da Tata era um facto grave em si mesmo. As causas tinham a ver sobretudo com os efeitos do excesso de produção na China, que inundara o mercado com aço mais barato. A companhia também se queixava do ambiente fiscal no Reino Unido. Por outro lado, os gastos de energia só naquela unidade industrial — havia uma outra no Sul de Gales, empregando 3 mil pessoas — eram gigantescos, equivalendo a toda a energia consumida em Swansea, a segunda cidade galesa. Em suma, em alguns aspetos, a partida da empresa até podia fazer sentido. Mas os políticos faziam tudo para a evitar, havendo quem dissesse que toda aquela dança com os potenciais compradores não passava de uma estratégia para ganhar tempo enquanto se tentava convencer a companhia a mudar de ideias. Se era isso, não parecia estar a resultar.

Mal por mal, antes alguém comprar a fábrica, ainda que fosse à custa de mais alguns despedimentos (ao longo do tempo, já tinha havido muitos, e no seu auge as instalações em Port Talbot empregavam quatro vezes mais trabalhadores do que hoje). Havia sete interessados assumidos, desde outros fabricantes de aço até fundos de investimento. Mas agora, no imediato pós-referendo, alguns estavam a repensar. Um deles fê-lo saber através de uma fonte anónima citada pela Sky News, que o descreveu como “razoavelmente aberto no sentido de este negócio ser muito menos atrativo se o ‘Brexit’ acontecer”. As razões tinham a ver com uma capacidade menor para vender aço no mercado europeu e com o próprio impacto eventual do ‘Brexit’ na procura global de aço.

Ao fim de uns dias, a Tata mantinha-se oficialmente otimista em relação às perspetivas de venda, mas o organismo que representa o sector no Reino Unido falava em “ondas de choque” provenientes do ‘Brexit’ e pedia ao Governo um conjunto de medidas para o ajudar. Algumas tinham a ver com o preço da eletricidade, outras eram de natureza claramente protecionista; por exemplo, a exigência de que as obras públicas no Reino Unido usassem aço produzido no país.

“Metê-los outra vez na caixa”

Tudo isto — um mundo em fluxo constante, insegurança e medo, ambiguidades políticas — é o background necessário do resultado do referendo. Se até Gales, que recebe mais da UE do que contribui, votou pelo ‘Brexit’ (essa votação foi especialmente alta na cidade mais ajudada em proporção) é porque muita gente sentiu ter ficado à margem dos benefícios. Quanto ao facto de votantes trabalhistas terem alinhado ao lado do UKIP, não surpreende. Afinal, já há cem anos o fundador do Labour, Keir Hardie, defendia uma proibição total da emigração no país, dizendo que os lituanos cheiravam mal e só comiam alho. Por acaso ou não, quando ele se tornou o primeiro deputado trabalhista de sempre, a eleição foi no Sul de Gales — embora Hardie fosse escocês.

Gales, onde os celtas e os normandos andaram à bulha durante muito tempo, é uma terra de castelos. Há-os para todos os gostos, desde o exemplar bem preservado e fotogénico que os turistas visitam até à ruína perdida no meio de um prado, onde se chega saltando algumas sebes e driblando a bosta de vaca que as ervas altas escondem. O castelo de Cardiff entra na categoria da História Reinventada. Com origens medievais, é largamente uma obra moderna. Em 1866, um magnata encomendou ao arquiteto William Burges, mestre do revivalismo gótico, uma recriação do antigo castelo, à qual nem faltou a torre do relógio, que é talvez o elemento mais notório do conjunto. Hoje em dia, é uma das principais atrações da cidade, a par com outro castelo igualmente encomendado a Burges pelo magnata, Castell Coch — este, sim, um verdadeiro conto de fadas. Situado numa colina a norte da cidade, não destoaria na Eurodisney ou na Disneylândia.

Campanha. As motivações foram de vários tipos, tanto pelo lado dos brexiters (partidários de sair da UE) como dos

Campanha. As motivações foram de vários tipos, tanto pelo lado dos brexiters (partidários de sair da UE) como dos

foto matthew horwood/getty

Logo a seguir ao castelo de Cardiff fica o chamado centro cívico, uma área de imponência arquitetónica que reflete a prosperidade de há um século, quando Cardiff era um porto essencial no transporte de minérios, especialmente carvão. Os principais edifícios, em estilo edwardiano, são a câmara municipal, os tribunais e o Museu Nacional de Gales. Neste, horas depois, além de uma boa coleção de pintura britânica e europeia, encontrei um exemplo vivo de uma particular linha de motivações que alimentou o voto a favor do ‘Brexit’.

Nos últimos dias tinha havido uma greve no museu. Apesar de já ter terminado, algumas das áreas permaneciam fechadas, pois o pessoal só regressaria em pleno na semana seguinte. Quando inquiri sobre os pintores galeses, uma funcionária telefonou para um colega. Explicou-me que a galeria em causa estava fechada, mas se eu estivesse na receção ao meio-dia um outro funcionário levar-me-ia lá. Pelos vistos, tratava-se do procedimento normal naquelas situações.

matthew horwood/getty

O guarda era um homem robusto de 75 anos, de porte direito, que me contou ter sido militar de carreira. Enquanto percorríamos a galeria, uma pergunta sobre as colinas de Gales pô-lo a falar da terra onde vivia. Não recordo como, mas a conversa depressa chegou aos abusos da UE, com os pepinos que não se podem exportar por serem demasiado curvos (“com a fome que há no mundo”) e a prepotência do tribunal europeu que impede as autoridades britânicas de correr com indesejáveis (“abreviando [sic] as nossas leis”). Acima de tudo, irritava-se com a arrogância dos alemães, que os britânicos tinham vencido na II Guerra Mundial e que agora queriam outra vez mandar na Europa. “Metam-nos outra vez na caixa”, dizia o guarda com uma paixão que as suas maneiras educadas mal deixavam transparecer. Mas era real. Não sei se o triunfo do ‘Brexit’ o encorajava a exprimir as suas opiniões, mas é provável que não. Dois dias antes, num mercado agrícola a meia hora de Cardiff, tinha ouvido clientes dizer coisas semelhantes.

“Nunca é para chatear”

Em frente ao castelo fica a Nata & Co, ou Portuguese Bakery, como diz no letreiro: uma loja de ar agradável, com produtos familiares. O proprietário é Filipe Brito, de 37 anos. Está em Cardiff há apenas quatro. Oriundo de uma família com pastelarias em Massamá, já tinha bastante experiência do negócio quando aceitou o convite de um amigo que tinha estudado na capital galesa. Os dois tornaram-se sócios, mas depois a sociedade correu mal e ao fim de um ano Brito ficou sozinho.

Não se saiu mal. Abriu a primeira loja em Splott, um bairro tradicional de Cardiff. Situado no leste da cidade, é um vasto labirinto de casas alinhadas (em mais de cinco mil habitações familiares, menos de duzentas são casas separadas), há muito presente na cultura popular do país e não apenas por ser o sítio onde nasceu a cantora Shirley Bassey. Vivem lá muitos portugueses, o que ajuda a explicar a opção de Brito. O êxito dessa loja original deu-lhe bases para abrir uma outra, na área da baía de Cardiff, a que se seguiu a loja em frente ao castelo.

O nome da empresa é Nata & Co, mas os locais conhecem a loja como padaria portuguesa, e de facto o que ela ofereceu está muito longe de se limitar ao pastel de nata, que serve sobretudo como um ícone chamativo. “Trabalhar aqui é mais fácil do que em Portugal”, explica Brito. “É muito mais fácil abrir negócio, menos burocrático. A sensação que eu tenho é que o sistema está muito bem montado. Não quer dizer que haja menos impostos, porque hoje em dia se calhar pago tanto como se paga em Portugal. Mas os primeiros dois anos foram ótimos. Eles ajudam muito as companhias, com os benefícios que dão, isenção de IVA até 90 mil libras, outras coisas... No princípio é assim, e depois, claro, já temos outra bagagem para podermos pagar os impostos. O IVA aqui é bastante mais favorável do que em Portugal, mas o resto é idêntico.”

matthew horwood/getty

A atitude dos locais, diz, foi extremamente favorável: “Eles simpatizaram com o nosso negócio. Sempre senti uma facilidade grande. Quando procurei uma loja aqui, tive logo uma abertura, tipo ‘espera aí, vamos-te ajudar a encontrar o melhor sítio, porque mereces estar no melhor sítio’. Em Portugal não se sente isso, o dinheiro fala mais alto. Aqui, eles adoram um projeto que nasça de raiz, que seja independente. As próprias autoridades. Tudo o que tenha a ver com food higiene, por exemplo, sempre sentimos um apoio grande. Nunca é para chatear. Sempre o contrário. Sempre em prol do crescimento. ‘Faz assim, faz assado, porque te vais sair melhor, ou se não podes ter problemas.’ A mentalidade é completamente diferente.”

Enquanto residente, não o inquietam os efeitos do referendo sobre a sua situação pessoal. Mas o possível abrandamento da economia, em especial se a Escócia deixar o Reino Unido, isso já é outro assunto.

O seu caso, convém notar, é um pouco diferente do de muitos outros emigrantes portugueses aqui. Ele não veio para Cardiff como parte do grande êxodo de pessoas que já não tinham perspetivas de vida no seu país. “Foi uma aposta minha. Não teve a ver com a situação económica do país. Aliás, quando cheguei, a situação aqui também não era brilhante. Eles também sentiram as dificuldades que nós sentimos.” Mesmo assim, milhares de portugueses terão conseguido instalar-se em Gales.

Afixado numa parede da loja de Brito vimos um indício da inquietação que o referendo está a provocar: um apelo a uma registration drive, a ter lugar em meados de julho, para portugueses em toda a região de Gales. Há muitos a viver em Merthyr Tydfil, meia hora a norte de Cardiff, e também em vilas mais a norte. Em unidades de produção alimentar, especialmente carne, fazem 60 horas semanais a troco de salários que rondam as 200 libras. Não é uma quantia enorme, mas é mais do que ganhavam em Portugal, se ainda tinham emprego. Trabalham ao lado de gente de outros países: indianos, filipinos e, claro, os famigerados polacos, que se tornaram a bête noire dos inimigos da imigração.

A verdade como vidro

Imediatamente a sul do castelo, de Queen Street para baixo, fica a zona das arcadas. As arcadas eram os centros comerciais das cidades ricas no século XIX, e Cardiff tem mais do que qualquer outra cidade no Reino Unido. Ao todo, são quase 800 metros de corredores, repletos de um charme que o tempo não apagou.

O ar algo pesado dessa área contrasta com o da baía de Cardiff, a velha zona das docas, objeto de um recente processo de rejuvenescimento semelhante ao de tantas outras áreas urbanas degradadas (a parte oriental de Lisboa, por exemplo). Hoje encontramos lá tudo o que é de esperar numa zona dessas, desde bons restaurantes e outras atrações a apartamentos caríssimos.

matthew horwood/getty

O edifício icónico da baía é o Wales Millennium Centre, inaugurado em 2004. Ao contrário do Millennium Dome de Londres, cuja falta de propósito foi criticada desde o início, o Millennium Centre de Cardiff tem a sua missão definida à partida: alojar as principais instituições culturais de Gales. Nove delas têm lá sede, incluindo o Teatro Nacional e a Ópera. Dos mais de 8 mil espetáculos que apresentou até hoje, assistidos por 4 milhões de pessoas, quase metade foram gratuitos. Curioso é que os subsídios públicos não chegam a ser um quinto do orçamento.

O edifício evoca as diferentes regiões de Gales através de materiais característicos, incluindo ardósia de diversas cores, disposta de forma a sugerir rochas e falésias. Ao aproximarmo-nos, o que chama a atenção é a fachada saída, onde se lê, escrita em letras muito grandes, uma frase em galês: “Creu Gwir fel Gwydr o Ffwrnais Awen” (criando a verdade como vidro na fornalha da inspiração). Uma intimação dirigida aos artistas e que manifestamente não serviu de guia a todos os que participaram na campanha do referendo sobre a União Europeia, a avaliar pelos desmentidos de promessas que alguns deles começaram a fazer logo que o resultado final foi anunciado.

“nacionalismo só importa no desporto”

Na véspera da votação, tínhamos ido ao Millennium Centre para falar com o diretor da Ópera Nacional de Gales. Libretista, encenador e administrador, com uma longa história de colaboração com artistas contemporâneos e recuperação de obras esquecidas, David Pountney é uma daquelas figuras que às vezes ainda se encontram na vida cultural: um personagem larger-than-life, com umas suíças consideráveis, uma assertividade notória e um vigor que muita gente próxima dos 70 anos já perdeu.

Vários escritores tinham-no avisado que seria difícil encontrar uma figura da área cultural que se manifestasse a favor do ‘Brexit’, e ele confirmou. “Estamos bastante conscientes de que fazemos parte de um espectro cultural europeu e sentimos desconforto com a ideia de nos separarmos dele”, disse. “Sabemos que cada país na União Europeia é diferente, tem a sua herança cultural, a sua linguagem. Mas há áreas enormes de interesse cultural partilhado.” Lembra que o Reino Unido tem cinco teatros de ópera, enquanto a Alemanha tem 240. “É essencial os nossos cantores poderem viajar, apresentarem-se nesses lugares. Se passarem a ter de arranjar autorizações de trabalho, é um absurdo.”

Com os debates públicos saturados de alegações e contra-alegações sobre exatamente quanto dinheiro o Reino Unido entrega à UE e quanto poderá perder ou ganhar nisto ou naquilo se sair dela, Pountney mostrou-se perentório: “O argumento foi demasiadamente à volta do dinheiro. Na verdade, isso não me interessa. Este país será próspero dentro ou fora da UE. Tudo o que se diga sobre o assunto é especulação. O que eu acho é que essa noção de um país, mesmo um país bastante grande como os EUA, poder ser verdadeiramente soberano hoje em dia é uma maluquice. Mesmo que deixemos a União Europeia, continuaremos a ser extremamente influenciados por decisões tomadas na China ou nos Estados Unidos. A via para o futuro é pertencer a um grupo grande que possa lidar com outros grupos grandes.”

E os argumentos sobre identidade, os apelos ao regresso a uma certa ideia de independência nacional, se não de grandeza? “A única área em que o nacionalismo é importante é o desporto”, disse Pountney. “É aí que ele pertence. É aí que devemos exercitar as nossas paixões nacionais, ser patrióticos. Porque é algo fundamentalmente sem importância. Mas é excitante, e nós gostamos. Se a Inglaterra jogar com Portugal, lá estarei a gritar para a televisão.”

Não disse contra ou a favor de quem, embora fosse fácil imaginar. Infelizmente, a questão depois complicou-se, no futebol como no referendo. Mas para Pountney o que importa é algo diferente. “Gales conseguiu criar o seu perfil através da sua cultura. Essa cultura é mais apreciada na Europa do que nas ilhas britânicas. Os grandes motores culturais da Europa são a França e a Alemanha. Enquanto país pequeno, precisamos de ter acesso a eles para realizarmos o nosso potencial.”

Galês e europeu, não britânico

O escritor Jon Gower, autor de uma “História de Gales” que foi apresentada na BBC e depois passada a livro, afirma algo semelhante. “Pessoalmente, vejo-me como galês e europeu, e isso permite-me saltar por cima da ideia de ser britânico, que rejeito por completo. Tradicionalmente, aliamo-nos com outros países celtas, mas vivemos há muito tempo na sombra de um vizinho poderoso e às vezes dominador, a Inglaterra.”

Embora refira as numerosas iniciativas que ligam os escritores galeses aos seus colegas europeus (entre as quais destaca o Mercator Centre, em Aberystwyth, que estuda e promove as minorias linguísticas), para ele a Europa não é importante só a nível cultural. “Os padrões europeus para a qualidade de água e as garantias ambientais têm sido cruciais em muitas decisões de planeamento. Sem elas, o campo galês, os estuários e mesmo o mar à volta da costa teriam pouca ou nenhuma proteção.”

Difícil. A pobreza ainda é um realidade em muitas zonas do País de Gales. Antigas áreas mineiras e industriais são especialmente afetadas

Difícil. A pobreza ainda é um realidade em muitas zonas do País de Gales. Antigas áreas mineiras e industriais são especialmente afetadas

foto matt cardy/getty

A outro nível, assusta-o o risco de “uma espécie muito sombria de racismo, para não dizer xenofobia, insularidade”, já visível num aumento dos ataques racistas e “num sentido geral de hostilidade”. Nota que as tensões se estendem aos próprios partidos políticos, incluindo o UKIP, vencedor do referendo. Com a confusão, não admira que haja um desinteresse crescente em viver, trabalhar e lidar com o Reino Unido. “Estou sempre a encontrar remainers [partidários da permanência na UE] deprimidos. Um professor na Áustria que diz aos seus estudantes para se candidatarem a universidades britânicos descobriu que nenhum deles quer vir para cá.”

“Há a noção de um barco num mar cheio de perigos e uma ausência completa de verdadeiros capitães”, conclui. Sendo assim, as reticências dos potenciais compradores da fábrica da Tata não surpreendem. Gower menciona o assunto espontaneamente, admitindo: “É uma das maiores preocupações aqui.”

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 9 junho 2016