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Turquia no limbo. Para que lado cairá?

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REUTERS

Leia o testemunho de José Pedro Tavares, correspondente do Expresso em Ancara, sobre a tentativa de golpe de Estado na Turquia

Quando às 22h30 turcas dois jatos militares começaram a voar baixo sobre Ancara – dando várias voltas repetidas sobre a área central da cidade, onde me encontro – pensei meio a brincar que os russos, ou os sírios, estavam a invadir a Turquia.

Duas horas depois, com a janela aberta, entre rajadas de armas automáticas, e enquanto os helicópteros continuam a sobrevoar os céus da capital, a situação deixou de sugerir piadas – algo de muito sério se está a passar na Turquia.

Um golpe de Estado – dos sérios, dos antigos, com tropas nas ruas. Os militares golpistas anunciaram a certa altura que controlavam o país, e que organizaram o golpe para “restaurar a ordem constitucional, os Direitos Humanos e liberdades, o Estado de direito e a segurança do país, que estava a ser danificada”. Anunciaram também que irão instaurar o estado de sítio e o recolher obrigatório – o que levou as pessoas a invadir as pequenas mercearias de bairro ainda abertas, e as caixas multibancos, para se abastecerem ou retirarem dinheiro.

Acontecimentos extraodinários num país que tem estado sob ataque – dos jiadistas do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e dos separatistas curdos, e que está há anos profundamente polarizado entre os apoiantes do vitriólico Presidente Recep Tayyip Erdogan – que tem seguido uma via crescentemente autocrática para impôr a sua agenda conservadora e eliminar todos os seus opositores, e a Turquia laica e kemalista, as elites da “velha Turquia” que governaram o país durante décadas.

Entre comunicados dos golpistas lidos por uma ansiosa jornalista da TRT – a televisão pública que até aqui era um canal de propaganda do Governo –, confirmando que tinham o poder, e declarações do Presidente Erdogan feitas através de um telemóvel através das redes sociais, num resort da costa mediterrânica onde estava de férias, apelando aos populares que saíssem à rua, o país está em limbo. Vamos a ver para que lado vai cair o prato da balança.