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Motorista do camião era “totalmente desconhecido” dos serviços de informações

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PASCAL ROSSIGNOL

Embora o atentado em Nice ainda não tenha sido reivindicado, o procurador de Paris reconhece que corresponde aos apelos à “morte dos infiéis” feitos pelos grupos jiadistas

O procurador de Paris, François Mollins, responsável pela secção antiterrorista, garantiu que Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, o indivíduo franco-tunisino que desviou esta noite um camião contra centenas de pessoas em Nice não era conhecido dos serviços de informações franceses.

“O homem é totalmente desconhecido pelos serviços de informações tanto a nível nacional, como local”, afirmou François Mollins, acrescentando que não havia qualquer sinal de radicalização, apenas registo de pequenos delitos no seu cadastro.

Apesar do atentado ainda não ter sido reivindicado, o procurador de Paris reconheceu que corresponde aos apelos à “morte dos infiéis” feitos pelos grupos jiadistas.

A investigação foi entretanto entregue à Direção-Geral da Segurança Interna e da Direção Central da Polícia Judiciária, sendo o indivíduo abatido suspeito dos crimes de homicídio e tentativa de homicídio e associação com um grupo extremista e conspiração terrorista.

Mohamed Lahouaiej Bouhlel, de 31 anos, foi abatido pela polícia local após uma troca de tiros com três agentes junto a um hotel local. A ex-mulher foi detida esta manhã para ser interrogada pelas autoridades, refere o “Le Monde”.

O procurador confirmou também que pelo menos 84 pessoas morreram e 202 ficaram feridas, 52 delas com gravidade, segundo o último balanço oficial.

França em guerra contra o terrorismo

Esta quinta-feira à noite, uma carrinha frigorífica foi dirigida contra centenas de pessoas, no Passeio dos Ingleses em Nice, onde assistiam a um espetáculo de fogo de artíficio a assinalar o Dia da Tomada da Bastilha. Vários turistas e famílias inteiras de residentes com crianças se encontravam no local.

Entretanto, o ministro do Interior francês lembrou esta sexta-feira que a França está em guerra contra o terrorismo, à semelhança do que dissera François Hollande. “Estamos numa guerra com terroristas que querem lutar connosco a qualquer preço, de uma forma violenta”, declarou Bernard Cazeneuve , sustentando que é preciso fazer tudo o que estiver ao alcance para vencê-la.

O governante referiu que foi elevado para o nível máximo o nível de alerta terrorista no departamento dos Alpes Marítimos e que as autoridades estão a tentar perceber se existiram mais cúmplices na ação terrorista.