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Internacional

John Kerry em Moscovo para negociar cooperação militar na Síria

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John Kerry, secretário de Estado norte-americano

REUTERS

Secretário de Estado norte-americano encontrou-se na noite desta quinta-feirae com Vladimir Putin e tem esta sexta-feira uma reunião agendada com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros

A notícia foi inicialmente avançada pelo "Washington Post" quando John Kerry ainda estava em Paris, dando conta de que o secretário de Estado norte-americano ia seguir para a capital russa com um plano concreto de cooperação militar entre os dois arquirrivais na guerra da Síria.

De acordo com o jornal, a administração Obama ia propor a Vladimir Putin o lançamento de uma operação militar conjunta para destronar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e a Frente al-Nusra, da Al-Qaeda, no território sírio. Ainda antes do encontro desta quinta-feira com o Presidente russo, Kerry escusou-se a avançar detalhes sobre o alegado plano, sem no entanto o desmentir.

"Terei comentários quando for a Moscovo e me encontrar com o Presidente Putin esta noite", disse na quinta-feira antes de partir da capital francesa para a Rússia. "Vamos ter muito tempo para falar sobre isso e dar-vos-ei uma ideia de onde vamos" quando o encontro terminar.

A reunião foi concluída a altas horas e não houve direito a conferência de imprensa, empurrando para esta sexta-feira eventuais novas declarações sobre o assunto, já depois de Kerry se encontrar com o homólogo russo Sergei Lavrov.

Perante críticas em Washington de estar a "ceder" aos jogos de Putin, grande aliado do Presidente sírio Bashar al-Assad, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano garantiu que a visita de Kerry a Moscovo, a terceira este ano, serve para "avaliar a sinceridade" das promessas do Presidente russo quanto à Síria.

Também esta quinta-feira, numa entrevista à NBC News a partir de Damasco, Assad garantiu que nem Putin nem Lavrov lhe pediram que abandone o poder nem que dê início a um processo de transição política. "Só o povo sírio define quem é o Presidente, quando é que ele vem e quando é que ele vai e [os sírios] não disseram única palavra sobre isso", declarou o contestado Presidente, que mergulhou o seu país numa guerra civil já no seu sexto ano consecutivo ao responder com artilharia pesada a protestos pacíficos em março de 2011, alumiados pela chamada Primavera Árabe.

Os EUA, a Rússia e outros atores regionais e internacionais continuam a tentar avançar com um plano de "transição política" com base nas negociações de paz de Genebra, que estão suspensas há mais de um mês. Com o apoio da ONU, o grupo de contacto para a Síria, que integra 24 nações, criou recentemente um plano de cessar-fogo em todo o território sírio que abra caminho à implementação dessa transição política.

O plano foi assinado (até) pelo Irão, outro grande aliado da Síria de Assad, e pela Arábia Saudita, aliada dos EUA e que apoia as forças rebeldes de oposição ao Presidente, mas a falta de progresso nas negociações transnacionais está a aumentar as dúvidas sobre a sua eventual aplicação. Já excluída parece a possibilidade de a transição política começar em agosto, como definido no plano do grupo de contacto.