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Forte polémica e perguntas sem resposta a seguir ao massacre de Nice

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ERIC GAILLARD / Reuters

Franceses choram os mortos de Nice, mas desta vez não há unidade nacional. Há desespero e críticas ao Governo e ao Presidente François Hollande

Desta vez é o desespero e a exasperação. Sente-se que acabou a unidade nacional francesa, que já não existe a comunhão de todos os franceses na dor e no luto depois dos massacres, como acontecera em janeiro e novembro do ano passado depois dos terríveis atentados de Paris.

Os franceses já não aguentam mais a sucessão de chacinas que os atinge barbaramente com regularidade e interrogam-se claramente nas ruas, nos cafés e nos empregos. Sentem que as autoridades não conseguem impedir os atentados e o massacre horroroso de Nice, na noite desta quinta-feira, feriado para comemorar a Tomada da Bastilha, resultou no fim da unidade nacional, mesmo ao nível político.

É uma evidência que terminou o estado de espírito de união de todos os cidadãos contra o terror que se sentia a seguir aos atentados do ano passado.

As consequências políticas do novo massacre ainda são dificeis de prever, mas certamente que as haverá porque a exasperação perante a impotência das autoridades é evidente, mesmo nas ruas de Paris, a mais de mil quilómetros de Nice.

É visível igualmente que também o espírito de união entre a classe política terminou e foi colocado esta manhã com impacto na praça pública por Christian Estrosi, antigo maire de Nice e presidente desta região do sudeste de França, bem como por outros políticos franceses.

As questões que estão a ser colocadas têm a ver, por exemplo, com esta pergunta: como pôde um enorme camião atravessar a cidade de Nice, chegar à luxuosa Promenade des Anglais e entrar numa zona pedonal, que estava cortada ao trânsito, sem ser intercetado?

Christian Estrosi revelou esta manhã que na véspera do atentado tinha escrito uma carta muito dura ao Presidente da República a pedir mais meios e poderes para a polícia. A carta foi publicada esta manhã pelo jornal “Le Figaro” e, nela, o político de direita reclamava “um plano de urgência” para equipar melhor e reforçar as forças da ordem na região.

Entretanto, outros políticos e comentadores colocam outras questões: por que razão há dias o governo francês decidira pôr fim ao estado de emergência e agora, depois do atentado, decidiu prolongá-lo por mais três meses? Porque pensava o governo aligeirar a participação dos militares nas patrulhas de segurança e agora decidiu reforçá-las?

Sem resposta para estas perguntas, os franceses acordaram esta manhã perplexos com o novo horror, que desta vez atingiu a zona turística da luxuosa Côte d’Azur, a mais célebre costa balnear de França. Mas agora não há só, nas pessoas, uma indescritível dor. A polémica estalou pouquíssimas horas a seguir ao massacre e o anúncio de que o Presidente François Hollande e o seu primeiro-ministro Manuel Valls se deslocarão ao fim da manhã desta sexta-feira a Nice não conseguiu acalmar ninguém.