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Exército do Uganda entra no Sudão do Sul para resgatar cidadãos cercados

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ISAAC KASAMANI

Tropas abriram corredor até à capital sul-sudanesa Juba, para garantir passagem segura aos três mil nacionais que ficaram deslocados após as recentes batalhas entre as tropas leais ao Presidente Salva Kiir e as que apoiam o vice-presidente Riek Machar

Uma coluna de 50 camiões escoltados por veículos militares blindados e dezenas de tropas do Uganda passou esta quinta-feira a fronteira para o Sudão do Sul, no que o exército disse ser uma missão de evacuação para retirar milhares de cidadãos seus dos arredores da capital sul-sudanesa Juba.

Para além de cerca de três mil ugandeses, há muitos sul-sudaneses presos naquela zona, a maioria deslocados das suas casas há mais de uma semana, após o ressurgir de confrontos sangrentos em Juba entre as forças leais ao Presidente Salva Kiir e as que apoiam o seu rival e vice-presidente Riek Machar.

A operação de retirada de cidadãos pelas forças do Uganda aconteceu na quinta-feira à noite, um dia depois de as Nações Unidas terem alertado para a possibilidade de novos confrontos, apesar de o cessar-fogo implementado na terça-feira estar para já a aguentar-se. A onda de violência que começou na semana passada já provocou pelo menos 300 mortos e há receios de que a trégua seja quebrada.

De acordo com fontes do Exército do Uganda, a coluna de veículos e tropas abriu um corredor da fronteira até à cidade de Nimule, a cerca de 200 quilómetros de Juba, para garantir passagem segura às pessoas em fuga. Horas depois do início da operação, já na madrugada desta sexta-feira, a Al-Jazeera avançou que as tropas já tinham chegado a Nasitu, uma cidade que dista apenas 20 quilómetros da capital sul-sudanesa. O canal qatari diz saber que a entrada das forças ugandesas no território do país vizinho foi autorizada pelo Governo de Salva Kiir.

"Planeamos ir até Juba para extrair três mil ugandeses cercados pelas batalhas, mas esse número pode crescer dado que vamos retirar qualquer pessoa de qualquer nacionalidade que queira fugir", disse Leopold Kyanda, brigadeiro do exército ugandês, à AFP. "Pode até haver sul-sudaneses que queiram fugir. Neste momento, Juba está totalmente pacífica e calma e não antecipamos problemas", acrescentou, dizendo que a missão vai durar "dois ou três dias".

O correspondente da Al-Jazeera na região diz que os milhares de refugiados sul-sudaneses que estão a entrar pelo norte do Uganda se têm queixado de que os soldados do seu país os têm espancado, roubado bens, saqueado as suas propriedades e impedido alguns de passarem a fronteira. "É este tipo de riscos que os civis têm denunciado que enfrentam, portanto isto é uma razão para o Exército do Uganda ter sido destacado para trazer civis", refere o jornalista.

Apesar de fontes militares garantirem que a incursão de quinta-feira no país vizinho é uma missão simples e que vai terminar até domingo, uma outra fonte disse sob anonimato à AFP que algumas tropas do Uganda pretendem ficar em Juba. "Porque não? Temos as capacidades para apoiar o Governo do Sudão do Sul e já estivemos aqui antes."

O Uganda enviou tropas para o Sudão do Sul logo após o início do conflito civil no país, em dezembro de 2013, apoiando o Presidente Kiir contra as forças lideradas por Riek Machar, atual vice-presidente. Esses batalhões do exército só abandonaram o país vizinho no final do ano passado.