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“Estava em pânico e não sabia o que fazer”

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STRINGER

Pelin Özen, 28 anos, é turca e vive em Istambul. A arquiteta estava com os amigos numa esplanada quando a tentativa de golpe de Estado começou. Teve medo. Muito medo. Já está em casa segura e escreveu ao Expresso um testemunho do que viu, ouviu e sentiu. “Um dia histórico na Turquia”

Pelin Özen (testemunho recolhido por Flávia Tomé e Marta Gonçalves)

Estamos a testemunhar um dia histórico na Turquia. Eu e os meus amigos estávamos fora de Istambul, na península anatoliana. Ouvimos rumores nas redes sociais sobre as forças militares estarem a bloquear a passagem na ponte de Bósforo e a declararem o golpe de Estado. Uma hora depois, os sites e os canais de televisão começaram a difundir as mesmas notícias.

Nunca vi algo tão caótico. Estava sentada numa esplanada do café, as pessoas começaram a apressar o passo, e de um momento para o outro, criou-se um enorme engarrafamento no trânsito. Toda a gente falava ao telefone, pediam aos familiares e amigos para regressarem rapidamente a casa, porque as ruas não eram seguras. Qualquer coisa podia acontecer. Estava realmente em pânico e não sabia o que fazer.

Havia helicópteros militares a pairar por cima das nossas cabeças, os tanques surgiam nas ruas e bloqueavam as estradas principais. Vi as pessoas a correm aos multibancos para levantarem dinheiro, por segurança. Os supermercados, que ainda tinham as portas abertas, ficaram cheios de pessoas que queriam comprar bens de primeira necessidade, comida e água.