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Antissocial e não mostrava interesse pela religião: o que se sabe sobre o suspeito de Nice

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IAN LANGSDON/EPA

Mohamed Lahouaiej Bouhlel tinha 31 anos. Estava referenciado pelas autoridades por delitos menores (este ano já fora detido duas vezes). Casado e pai de três filhos, nasceu na Tunísia mas há muito que fizera de Nice a sua casa. É o principal suspeito do massacre de quinta-feira

Os vizinhos descrevem-no como “solitário” e que apenas chamava à atenção por não responder de volta aos cumprimentos. Mohamed Lahouaiej Bouhlel, 31 anos, foi identificado esta sexta-feira como o principal suspeito do atentado em Nice (no sul de França), que fez pelo menos 84 mortos e muitos mais feridos.

Nascido a 3 de janeiro de 1985 em Tunes, na Tunísia, há muito que fizera de Nice sua casa. Aliás, tinha nacionalidade franco-tunisina. As autoridades francesas conseguiram confirmar a identidade do homem com alguma rapidez, pois encontraram os documentos e o telemóvel no inteiror do camião utlizado para perpetrar o ataque.

Desde 2010, Bouhlel estava referenciado pela polícia devido “a ameaças, violência e pequenos roubos”. Só este ano já fora a detido duas vezes: em janeiro e a 23 de março. Após a última detenção, foi condenado por condução perigosa, com uma pena de seis meses de prisão.

François Molins, procurador francês, citado pelo “The Guardian”, confirmou que, apesar dos problemas de Bouhlel com a lei, eram “totalmente desconhecidas” quaisquer ligação a grupos terroristas radicais.

Mohamed Lahouaiej Bouhlel era casado e pai de três filhos. Aparentemente, estava separado ou em processo de divórcio da mulher, que entretanto foi interrogada pelas autoridades francesas. Trabalhava como motorista e estafeta. Destacava-se pelo comportamento antissocial, era sossegado e não mostrava interesse na religião, contam vizinhos e conhecidos aos media internacionais.

Uma vizinha descreve-o como “um belo homem com penteado à George Clooney”.

O dia em que atirou um camião para cima da multidão

O arranque do atentado de Nice deu-se a 11 de julho, quando Bouhlel alugou o camião branco nos arredores de Nice. Teria de devolvê-lo dois dias depois, mas não o fez.

Foi no dia da Tomada da Bastilha, no Passeio dos Ingleses (uma avenida comprida junto às praias), que conduziu ao longo de dois quilómetros e atropelou centenas de pessoas que assistiam às celebrações do dia nacional. Matou pelo menos 84 pessoas, incluindo dez crianças. Feriu muitas mais.

“Chegou [ao local] sozinho de bicicleta, que foi encontrada no interior do camião”, informou o procurador francês. “O camião foi visto pelas ruas de Nice por volta das 22h30 (hora local) antes de chegar ao Passeio dos Ingleses”, acrescentou.

Quando entrou na avenida, as autoridades começaram a disparar, conseguindo matar Bouhlel. Já dentro do camião, a polícia encontrou-o morto no lugar do passageiro. Foram encontradas armas automáticas, um carregador, balas, uma granada, um telemóvel e os documentos de identificação. Havia ainda armamento falso.

As autoridades francesas continuam a investigar. Na casa do principal suspeito recolheram mais documentos e material eletrónico: “Estes materiais estão a ser analisados. Devemos determinar se havia ou não cúmplices e ligações a organizações terroristas islâmicas.”