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Polícia e militares húngaros acusados de espancar migrantes

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O exército húngaro está a levar a cabo uma operação de larga escala para capturar migrantes que encontra muito para lá das zonas de fronteira, obrigando-os depois a sair do país através de buracos existentes nas cercas de arame farpado. Alguns são violentamente espancados ao longo desse processo

Ao mesmo tempo que decorre uma operação de larga escala que envolve dez mil polícias e militares húngaros para capturar e expulsar do país migrantes e refugiados, um relatório da Human Rights Watch (HRW), corroborado por outras fontes, denuncia violentos espancamentos de algumas dessas pessoas, atos de agressão que não poupam mulheres nem crianças.

De acordo com a nova regulamentação que a Hungria está a aplicar desde 5 de julho, as suas forças de segurança passaram a capturar e expulsar aqueles que entraram ilegalmente no país e que sejam encontrados a uma distância de até oito quilómetros da fronteira com a Sérvia. Mas há indicações de que na realidade isto está a ser feito em zonas bastante mais no interior do país, acontecendo mesmo até na área da capital, Budapeste.

A polícia húngara indica que 621 pessoas foram devolvidas para a Sérvia desde que as novas regras entraram em vigor.

Um grupo de entre 30 a 40 refugiados e migrantes, entre os quais se encontravam mulheres e crianças, foram espancados por soldados durante duas horas, após terem sido capturados por militares húngaros, segundo o relatório divulgado quarta-feira pela HRW, cuja veracidade é contudo negada pelo Governo húngaro.

“Eu nunca vi espancamentos destes sem ser no cinema”, disse uma testemunha citada no relatório sob anonimato. “Cinco ou seis soldados levaram-nos um de cada vez e bateram-nos. Eles ataram-nos as mãos atrás das costas com presilhas de plástico. Eles bateram-nos com tudo, punhos, pontapés e cassetetes. Causaram-nos intencionalmente lesões graves”, acrescentou.

Outras testemunhas indicaram que, após terem sido espancados pela polícia, foram forçados a regressar à Sérvia através de buracos existentes nas cercas de arame farpado.

Refugiados e migrantes entrevistados na quarta-feira pela agência Associated Press em Horgos, Sérvia, próximo de uma das zona de passagem para a Hungria, indicaram que foram alvo de tratamento semelhante.

“Eu fui para a Hungria três vezes. É muito difícil, eles batem-me”, declarou Wahed Khan, um afegão de 24 anos. “A polícia húngara está a bater nas pessoas. Eles ferem muitas pessoas atingindo-as com gás (lacrimogéneo), eles usam um tipo de gás muito perigoso”, relatou.

O ministério do Interior húngaro afirma contudo que os “migrantes não estão a ser agredidos na zona de fronteira”. “O objetivo do novo sistema de proteção da fronteira introduzido ao longo das fronteiras Hungria-Sérvia e Hungria-Croácia é evitar imigrantes ilegais de estarem na Hungria mas permitir aqueles que desejem apresentar pedidos de asilo”, referiu Gyorgy Bakondi, assessor de Segurança Interna do primeiro-ministro Vktor Orban.

A HRW diz contudo que a Hungria está também a desrespeitar as normas internacionais para os pedidos de asilo, rejeitando logo à partida pedidos que venham de homens sós, e na prática estando apenas a aceitar 15 pedidos por dia em cada uma das duas zonas de passagem na fronteira com a Sérvia.

O Governo húngaro irá levar a cabo um referendo a 2 de outubro para perguntar se os cidadãos do seu país pretendem aceitar ou rejeitar o sistema de quotas para redistribuição de refugiados proposto pela Comissão Europeia.