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Ministro francês diz que o novo homólogo Boris Johnson é um “mentiroso encurralado”

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Toby Melville/Reuters

A nomeação do polémico ex-autarca londrino como ministro dos Negócios Estrangeiros gerou fortes reações dentro e fora do Reino Unido

A escolha da nova primeira-ministra britânica Theresa May do polémico ex-autarca londrino e ex-jornalista, Boris Johnson, como o seu ministro dos Negócios Estrangeiros gerou fortes criticas. Teme-se que as posições que assumiu durante o referendo irão condicioná-lo na execução do novo cargo.

“Durante a campanha, vocês sabem que ele disse uma data de mentiras ao povo britânico e agora ele está encurralado. Ele tem isso contra si na defesa do seu país e também na relação com a Europa”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Marc Ayrault, em declarações a uma rádio francesa, comentando a nomeação de Boris Johnson para chefe da diplomacia britânica.

O ministro francês, que interagiu com o seu novo homólogo britânico na altura em que eram ambos autarcas, declarou que “conhece muito bem o estilo e os métodos” de atuação, frisando não estar preocupado com a sua nomeação, considerando-a no entanto “um sinal da crise política que saiu da votação no referendo”. Ayrault acrescentou que a França precisa de um parceiro negocial “claro, credível e em quem se possa confiar”.

Johnson acabou por ser uma das figuras que mais se destacou no seio do Partido Conservador na campanha pelo ‘Brexit’, indo contra a posição tanto do ex-líder do partido e ex-primeiro-ministro britânico, David Cameron, como da sua sucessora Theresa May.

Entretanto, o líder do Partido Liberal Democrata britânico considerou que, com a nomeação de Johnson, Theresa May “perdeu a sua credibilidade apenas 90 minutos depois de se ter tornado primeira-ministra”. Tim Farron declarou mesmo que a decisão indica que May não está a encarar “com seriedade” as negociações para os acordos com a Europa e com o resto do mundo.

O comunicado do partido recordou as declarações de Johnson fez durante a campanha para o referendo, nas quais comparou os líderes da União Europeia aos nazis, ao mesmo tempo que se referiu ao Presidente Barack Obama como “parcialmente queniano”. “Eu não acredito que Boris Johnson vai agora ser a pessoa a representar a Grã-Bretanha no estrangeiro (…) Presumivelmente, o primeiro ato de Boris Johnson como ministro dos Negócios Estrangeiros será pedir desculpas ao Presidente dos Estados Unidos, e depois aos líderes dos nossos parceiros europeus”, referiu Farron.