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Contágio da crise venezuelana leva à demissão de ministro da Economia de Cuba

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ADALBERTO ROQUE

Depois da reaproximação aos Estados Unidos após décadas de relações congeladas, a ilha cubana enfrenta duros desafios económicos, em larga medida alimentados pelo impacto da queda do preço de petróleo na Venezuela de Nicolás Maduro

Marino Murillo foi despedido do cargo de ministro da Economia de Cuba esta quinta-feira, uma semana depois de o Presidente cubano, Raúl Castro, ter avisado a população que tem de apertar o cinto e preparar-se para os duros impactos da crise económica na Venezuela, que continua a sofrer com a queda dos preços do petróleo nos mercados mundiais.

O Governo diz que Murillo terá agora a responsabilidade de liderar um pacote de reformas do mercado, sendo substituído na liderança do Ministério da Economia pelo atual vice-presidente do Conselho de Ministros, Ricardo Cabrisas Ruiz, que foi responsável pela recente restruturação da dívida cubana.

Os analistas veem no afastamento de Murillo mais um sinal da instabilidade económica na ilha comunista, que há alguns meses retomou as relações diplomáticas com os Estados Unidos 50 anos depois de terem sido suspensas e de Washington ter aprovado um embargo económico ao país que teve duros efeitos na economia cubana desde a crise dos mísseis e a Guerra Fria.

Desde que chegou ao poder em 2008, após substituir o irmão Fidel por questões de saúde, Raúl permitiu que grande parte do setor da agricultura, até agora nas mãos do Estado, passasse a ser gerido em cooperativas, tendo legalizado a criação de pequenas e médias empresas privadas. Com a restauração dos laços diplomáticos com os EUA e ao leme de Raul, Cuba também está a começar a abrir-se a investimento estrangeiro, mas todos os esforços enfrentam um longo e complicado caminho face à crise na Venezuela.

Na semana passada, Castro disse aos cubanos que devem estar preparados para um difícil segundo semestre, anunciando na Assembleia Nacional restrições imediatas ao consumo de energia por instituições públicas por causa da queda dos preços dos produtos cubanos exportados por excelência, como o níquel, o petróleo refinado ou o açúcar.

Apesar de não ter falado sobre o aliado socialista, a decisão de controlar o consumo energético e cortar na despesa pública surge a par da queda das importações de petróleo da Venezuela. Durante mais de uma década, o país forneceu cerca de 100 mil barris de petróleo por dia a Cuba, na sua maioria pagos pela ilha com missões de profissionais de saúde cubanos.

Neste momento, e por causa da queda do preço do crude, a refinaria de petróleo cubano-venezuelana, em Cienfuegos, continua temporariamente encerrada. Também como consequência da crise petrolífera, a economia cubana cresceu apenas 1% no primeiro semestre deste ano, apenas metade do antecipado, no que correspondeu a uma queda de 3,7 pontos percentuais em relação ao mesmo período em 2015.