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Portugal entre os países que mais refugiados tem recolocado

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Portugal já acolheu 452 requerentes de asilo que entraram na Europa através da Grécia e de Itália. Na imagem, crianças brincam num campo de refugiados grego, nos arredores de Atenas, enquanto os adultos aguardam pelo processo de pré-registo

ALKIS KONSTANTINIDIS / Reuters

Portugal acolheu 452 requerentes de asilo que estavam na Grécia e em Itália. Só a França recolocou um número maior. Mas a União Europeia continua muito longe das 160 mil recolocações com que se comprometeu. Bruxelas apela a “esforços redobrados” por parte de todos os Estados-membros

A Comissão Europeia fala numa “tendência positiva”. Nos últimos meses, aumentou o número de refugiados recolocados a partir da Grécia e de Itália. Até agora foram 3056 pessoas. Um valor que tem aumentado nos últimos meses mas que está ainda muito aquém das 160 mil pessoas que os Estados-membros se comprometeram a distribuir, para aliviar o fardo da Grécia e da Itália.

Bruxelas volta assim a apelar à solidariedade europeia e pede aos estados-membros que “redobrem os esforços, em particular tendo em conta os menores que viajam sozinhos”.

Entre os países que mais pessoas têm recolocado em termos absolutos está Portugal. De acordo com os números divulgados esta quarta-feira pela Comissão Europeia, o país já acolheu 452 requerentes de asilo que entraram na Europa através da Grécia e de Itália. Só a França acolheu mais (991), seguida pela Finlândia (397) e pela Holanda (367).

Países como a Hungria, a Polónia e a Eslováquia continuam sem recolocar qualquer refugiado. Em maio, Bruxelas avançou com uma proposta que sancionaria os países menos solidários. Em cima da mesa está uma contribuição de solidariedade de 250 mil euros, a pagar por cada refugiado que um país recuse acolher. O dinheiro reverteria depois a favor do Estado-membro que acolhesse esse requerente de asilo.

Esta quarta-feira, o comissário europeu para as migrações preferiu insistir no diálogo com os "países relutantes" afastando, para já, as sanções. “Não estamos aqui para punir, estamos aqui para persuadir”, disse Dimitris Avramopoulos em Bruxelas. Mas se a persuasão não for bem sucedida, então estamos a pensar nisso (punir). Mas ainda não estamos nesse ponto”.

Mecanismo acordado com a Turquia já está a ser posto em prática

Já em matéria de reinstalação, ou seja, de acolhimento de refugiados que estão em campos fora da UE, os números são um pouco melhores: foram recebidos 8268 requerentes de asilo. O compromisso assumido há um ano é para reinstalar 22 mil pessoas.

O Reino Unido foi o país que mais pessoas acolheu neste esquema, num total de 1864 pessoas, sendo que os britânicos não entram no programa de recolocação. Seguem-se depois a Áustria (1453) e a Noruega (1098), que não pertencendo à União Europeia participa também no esquema de reinstalação.

Portugal comprometeu-se a reinstalar 191 pessoas que estão em campos de refugiados fora da UE, mas só recebeu 12 que estavam na Turquia, no âmbito do esquema 1:1 negociado, em março, com o governo turco.

Na altura, os chefes de Estado e de Governo concordaram que por cada refugiado sírio devolvido à Turquia – depois de ter tentado chegar ilegalmente à Grécia através do mar Egeu – os países da UE iriam reinstalar um outro sírio que estivesse em solo turco à espera de asilo.