Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Marido da nova líder britânica é gestor em fundo de investimento que lucra com fuga aos impostos

  • 333

Christopher Furlong

Jornal “The Independent” diz ainda que empresa na qual Philip John May ocupa alto cargo é “uma das maiores e mais poderosas instituições financeiras do mundo”, controlando cerca de 1,26 biliões de euros em ativos

O fundo de investimento onde Philip John May trabalha como executivo de topo é uma das maiores e mais poderosas instituições financeiras do mundo, controlando 1,4 biliões de dólares (cerca de 1,26 biliões de euros) em ativos, e inclui no seu portefólio 20 mil milhões de dólares (18 mil milhões de euros) em ações da Amazon e da Starbucks, duas das empresas que a nova primeira-ministra do Reino Unido citou na terça-feira num discurso em que prometeu um maior combate à evasão fiscal.

De acordo com uma investigação do "The Independent", com base em registos das autoridades norte-americanas, o Capital Group, com sede em Los Angeles, que é o empregador do marido da nova líder britânica detém enormes quantidades de ações de uma série de multinacionais, incluindo o banco de investimento JP Morgan Chase, a fabricante de armas Lockheed Martin, a tabaqueira Philip Morris International e a Ryanair.

O fundo de investimento, bastante discreto fora do sector financeiro, já confirmou que Philip May, especialista em fundos de pensões, trabalha nos seus escritórios de Mayfair, em Londres, com uma porta-voz da empresa a dizer ao jornal britânico que "Philip é um gestor de relações com clientes que se mantém em contacto com organizações e instituições do Reino Unido, para garantir que estão felizes com os serviços executados pelo Capital Group e que entendemos os seus objetivos". No mesmo comunicado, a porta-voz garante que o marido da nova primeira-ministra "não está envolvido nas prospeções de investimento [do fundo] nem nas atividades de gestão do portefólio".

Apesar disto, não é segredo que a empresa para a qual trabalha e que lhe paga os salários beneficia em muito dos investimentos em empresas como a Amazon ou a Starbucks, duas das grandes multinacionais que mais têm sido criticadas no Reino Unido por criarem estruturas que lhes permitam pagar menos impostos e que foram referidas por May quando esta terça-feira apresentou o seu manifesto político para Downing Street.

"Temos de falar sobre impostos", disse terça-feira a sucessora do primeiro-ministro demissionário David Cameron, que esta semana conseguiu afastar todos os rivais da corrida à liderança do Partido Consevador iniciada no rescaldo do referendo ao Brexit. "Não interessa se falamos da Amazon, do Google ou da Starbucks: [estas empresas] têm o dever de repor alguma coisa, têm uma dívida para com os vossos concidadãos, têm a responsabilidade de pagar impostos. Por isso, como primeira-ministra vou combater a evasão fiscal individual e empresarial."

Segundo o "The Independent", continua, para já, por apurar se Theresa May, que toma posse esta quarta-feira, tem conhecimento das enormes participações do empregador do marido nas empresas que cita e que pretende responsabilizar.