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Departamento da polícia inglesa vai passar a tratar misoginia como crime de ódio

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ANGELOS TZORTZINIS

Numa tentativa de combater abusos sexistas, a polícia de Nottinghamshire diz que qualquer incidente ou assédio que possa não ser considerado um crime sexual vai passar a ser tratado como um crime de ódio, para que as autoridades possam investigar as queixas e prestar apoio às vítimas

Incidentes que envolvam a invasão do espaço das mulheres por homens "simplesmente porque são mulheres" vão passar a ser geridos pela polícia de Nottinghamshire, Inglaterra, como crimes de ódio, numa tentativa de combater o sexismo endémico da sociedade e garantir que são abertas investigações e que as vítimas recebem apoio especializado.

Com a expansão da lista de categorias sobre o que constitui um crime de ódio, qualquer abuso ou assédio que possa não se qualificar como um crime sexual sob a atual legislação britânica vai ainda assim ser investigado pelo departamento da polícia daquele condado de Inglaterra, que já trabalha com o Centro de Mulheres em Nottingham para prestar apoio às que têm a coragem de denunciar os abusos e agressões de que são vítimas.

"O que as mulheres enfrentam diariamente é absolutamente inaceitável e pode ser extremamente aflitivo", diz Sue Fish, chefe daquele departamento da polícia, citada pela BBC. "A polícia de Nottinghamshire quer levar a sério os crimes de ódio misóginos e encorajar qualquer pessoa que se sinta vitimada por eles a contactar-nos sem hesitação."

Segundo Fish, a ideia de incluir a misoginia entre as categorias de crimes de ódio, como o racismo, surgiu no ano passado durante a Conferência de Nottinghamshire pela Segurança das Mulheres, organizada pela polícia em parceria com o Centro de Mulheres. Foi durante essa conferência que a jornalista da BBC Sarah Teale foi assediada na rua, durante a cobertura do encontro em direto.

Atualmente, as forças policiais de Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte monitorizam cinco tipos de crimes de ódio — deficiência; identidade de género; raça, etnia ou nacionalidade; religião, fé ou crença; e orientação sexual — sendo que cada departamento pode alargar a lista acrescentando subtópicos a essas cinco categorias para prever crimes mais especificamente motivados.

"Entender [o sexismo] como um crime de ódio vai ajudar as pessoas a perceberem a seriedade destes incidentes e, esperemos, encorajar mais mulheres a darem a cara e a denunciarem ofensas", diz Melanie Jeffs, do Centro de Mulheres de Nottingham. "Estamos satisfeitos de que a polícia de Nottinghamshire tenha reconhecido esta amplitude de violência e intimidação que as mulheres sofrem numa base diária nas nossas comunidades."