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Venezuela assume controlo de fábrica após multinacional norte-americana suspender operações

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O Presidente Nicolás Maduro durante uma manifestação contra a decisão dos Estados Unidos de renovar as sanções contra dirigentes públicos venezuelanos

JUAN BARRETO / AFP / GETTY IMAGES

Presidente Nicolás Maduro diz estar a responder às exigências dos 1200 trabalhadores da fábrica da Kimberly-Clark ao anunciar a sua reativação, perante a escalada dos problemas económicos e sociais no país por causa da queda do preço do petróleo

O Governo da Venezuela anunciou esta terça-feira que vai assumir o controlo de operações numa fábrica gerida pela empresa norte-americana Kimberly-Clark, poucos dias depois de a multinacional ter anunciado a suspensão de operações naquela fábrica por causa da situação económica em deterioração no país.

Num discurso transmitido na televisão estatal na segunda-feira à noite, o ministro do Trabalho, Oswaldo Vera, disse que o Presidente Nicolás Maduro ordenou a tomada da fábrica a pedido dos seus 1200 funcionários e que as matérias-primas necessárias para operar serão fornecidas pelo Estado.

Kimberly-Clark, que produz uma série de bens de consumo como lenços e papel higiénico, anunciou no sábado a suspensão imediata de toda a produção na sua unidade de produção no norte da Venezuela, na região de Aragua, por causa da queda da divisa e da escassez de matérias-primas.

A Bridgestone, a General Mills, a Procter & Gamble e outras multinacionais a operar na Venezuela também reduziram as suas operações no país por causa da crescente crise económica, potenciada pela queda dos preços do petróleo, mas só a Kimberly-Clark abandonou totalmente a produção no país, com Maduro a acusar a empresa de participar numa conspiração internacional para danificar intencionalmente a economia de Caracas.

“Se o Governo venezuelano assumir o controlo da nossa fábrica, será daqui em diante responsável pelo bem-estar dos funcionários e dos bens físicos, equipamentos e maquinaria que estão dentro das instalações”, disse ontem a empresa com sede no Texas em comunicado.

A situação na Venezuela continua a piorar a cada dia desde que os preços do crude caíram a pique nos mercados, devastando os modelos económicos das nações que integram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

A falta de alimentos nas prateleiras das lojas, bem como a escassez de medicamentos e de bens domésticos básicos, já fez nascer lucrativas redes de contrabando destes produtos vindos da Colômbia, levando ainda milhares de venezuelanos a passarem a fronteira para o país vizinho, esvaziando os supermercados para obterem o que necessitam.