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Rivera abre a porta à abstenção para deixar Rajoy governar em minoria

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Mariano Rajoy, líder do Partido Popular espanhol, reuniu-se esta terça-feira com Albert Rivera, do Ciudadanos

J.J. GUILLEN/EPA

Em Espanha prosseguem as negociações para formar um Governo estável que evite avançar para a terceira volta das eleições. Amanhã, Mariano Rajoy vai estar frente-a-frente com Pedro Sánchez

Mariano Rajoy e Albert Rivera estiveram reunidos esta terça-feira durante uma hora e meia. Rajoy, líder do Partido Popular (PP), o mais votado nas eleições espanholas de 26 de junho, continua à procura de um entendimento com as forças partidárias mais votadas para tentar chegar à maioria no Parlamento.

Esta terça-feira, sentou-se à mesa com Rivera, o rosto dos centristas Ciudadanos, que conseguiram 32 assentos parlamentares. Embora insuficientes para formar com o PP uma maioria absoluta, os deputados do Ciudadanos podem ser decisivos no apoio à formação de um Governo, ainda que minoritário.

Rivera não bateu com a porta a Rajoy, deixando-a entreaberta a uma possível abstenção do seu partido, que permita viabilizar um Governo liderado pelos populares. A confirmar-se este cenário, trata-se de um volte-face no discurso dos centristas, que durante a campanha eleitoral descartaram a abstenção ou viabilização de um Governo PP.

O líder dos Ciudadanos “não vê saída” para o plano A de Rajoy, pelo que lhe restará o plano B de um “governo de minoria” que lhe permita tomar posse em julho. O Ciudadanos compromete-se a fazer uma oposição “construtiva”, afirmou Rivera. O líder dos centristas não vislumbra, no entanto, espaço para um entendimento a três, que inclua PP e PSOE, as formações mais votadas nas últimas legislativas.

“Não estaremos no Governo mas como somos responsáveis, caso se concretize um Governo de Rajoy, estamos dispostos a negociar e a fazer acordos”, afirmou Rivera, que afastou a hipótese de “bloquear Espanha” ou de avançar para “terceiras eleições”.

O PP agradeceu de imediato através de um comunicado e do seu porta-voz o tom “construtivo” do diálogo e o “clima positivo” do encontro, mas pediu a Rivera um pouco mais do que a abstenção na cerimónia da tomada de posse. A intenção de Rajoy será ir a votação na última semana de julho ou, o mais tardar, na primeira de agosto.

Semana decisiva para formar Governo

Rajoy, que inicia esta semana uma ronda de encontros para discutir possíveis alianças que garantam a formação de um Governo em Espanha, reúne-se ainda esta terça-feira com o líder do Podemos, o terceiro partido mais votado nas últimas eleições, às quais concorreu coligado.

Mariano Rajoy e Pablo Iglesias têm encontro marcado no Congresso dos Deputados, naquela que será uma reunião pouco mais do que “protocolar”, segundo preveem os meios de Comunicação espanhóis. É esperado que Iglesias transmita a Rajoy o “não” unânime do Unidos Podemos (coligação nascida nas eleições de junho passado) a um possível apoio ao Governo do PP, tal como anteciparam vários porta-vozes da coligação.

Na quarta-feira, Rajoy encontra-se com o líder do PSOE, Pedro Sánchez, que se tem mantido em silêncio desde a noite eleitoral. Esta deverá ser a reunião-chave em que o líder popular tentará desbloquear a difícil situação política que o país atravessa.

Segundo os meios de comunicação espanhóis, está instalada a confusão no seio da formação socialista, dividida sobre o futuro político dentro e fora do partido. A única nota sincrónica — até ao momento — é a de que o PSOE não se abstém nem apoia a investidura de Rajoy.

Os socialistas não conseguiram afirmar-se no panorama político como pretendiam, acabando em segundo lugar nas eleições, com menos cinco deputados (85) do que em 2015. Em contrapartida, o PP somou 137, mais 14 do que no ano anterior.

O PSOE atravessa um momento de rutura interna e é assim que parte para as negociações com o PP. De um lado, os que acreditam que se o líder do PP fracassar haverá espaço para Pedro Sánchez tentar novamente formar Governo (já o tentou, sem sucesso, nas anteriores eleições). Do outro, os críticos que desejam descartar-se do atual líder no próximo Congresso do partido, e que afirmam que o resultado do passado dia 26 não permite sonhar com um Executivo socialista.

A reunião desta quarta-feira entre as duas principais forças políticas espanholas poderá ser decisiva, e nela deverá desenhar-se a possibilidade (ou não) de formar Governo nas próximas semanas. Espanha está já em contagem descrescente, obrigada a terminar as negociações até 19 de julho.