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Brexit vai acontecer, eleições antecipadas não. Os desafios e planos da nova primeira-ministra britânica

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Theresa May é agora a única candidata à liderança dos conservadores britânicos

HANNAH MCKAY/EPA

“Mais um apoiante do Brexit abandona a cena do crime”, gritaram contra a última rival de Theresa May na corrida à liderança do Partido Conservador, quando esta anunciou que ia deixar o caminho livre para a ministra do Interior

A nova futura primeira-ministra do Reino Unido Theresa May vai enfrentar uma série de problemas por resolver quando assumir o cargo que David Cameron abandonou a 24 de junho, um dia depois de 52% dos britânicos terem votado a favor da saída da União Euroepia, a começar pela execução dessa saída.

Andrea Leadsom anunciou para surpresa de todos, esta segunda-feira à hora do almoço, que já não vai disputar a liderança do Partido Conservador com a ainda ministra do Interior, depois de um fim de semana marcado pelo escrutínio incessante dos media às declarações da ministra da Energia de que seria, à partida, mais qualificada para governar o Reino Unido porque é mãe e May não é.

Ao abandonar a conferência de imprensa, alguém gritou a Leadsom "mais um apoiante do Brexit abandona a cena do crime", numa referência ao ex-autarca de Londres Boris Johnson, que decidiu nem sequer se candidatar ao cargo após perder o apoio do ministro da Justiça Michael Gove, e a Nigel Farage, outro dos porta-estandartes do Brexit que anunciou a sua saída do partido nacionalista UKIP.

Tendo sido apoiante da permanência na União Europeia, May tem agora às costas a responsabilidade de negociar a saída do Reino Unido nas condições ideais para o país, tendo já deixado garantias de que o Brexit vai avançar e de que não haverá eleições gerais antecipadas.

"Ninguém no Partido Conservador está a pedir eleições, isso não vai acontecer", garantiu ao "The Independent" uma fonte próxima da futura nova líder, que assumirá o cargo quando David Cameron fizer o seu último discurso na Câmara dos Comuns, depois de entregar a sua demissão à Rainha esta quarta-feira. "Os mercados não querem isso. Olhem para a recuperação que começou com um fim imprevisível — porquê pôr isso em risco? Theresa garantiu com firmeza que isso não vai acontecer", disse o conselheiro da ministra, quando confrontado com as crescentes exigências dos partidos da oposição sobre a necessidade de novas eleições gerais.

Uma das primeiras grandes decisões que May terá de tomar tem a ver com a ativação do artigo 50.º do Tratado de Lisboa, um mecanismo criado na comunidade europeia em 2007 para prever a saída de um Estado-membro no prazo máximo de dois anos. Antes de se ver sozinha na corrida ao cargo deixado vago por Cameron, May tinha sublinhado que não quer apressar-se a fazê-lo, que "primeiro quer ser clara quanto à posição do Reino Unido", deixando claras as suas próprias posições sobre questões de máxima importância como a imigração.

Na mesma linha condutora, May terá de esclarecer do que falava quando apresentou em Birmingham num discurso recente de campanha uma proposta de uma "reforma social radical" que pretende dar aos trabalhadores e funcionários de empresas mais poder de influência nas entidades patronais.

Antes disso, contudo, a nova líder do Reino Unido terá de montar o seu gabinete, antecipando-se que vá, apesar de tudo, promover alguns apoiantes do Brexit para dar força às negociações com a UE, entre eles Chris Grayling, Priti Patel e Liam Fox, também para unificar o partido. O que mais se aguarda é perceber se Boris Johnson será convidado a integrar o executivo e se será George Osborne a manter a chancelaria do Tesouro como liderava até agora no governo Cameron.