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Internacional

Centenas de detidos em protestos contra violência racial nos EUA

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“Sempre que qualquer um de nós, dos que estão preocupados com a equidade no sistema de justiça criminal, ataca agentes da polícia, está a prejudicar a causa”, diz Barack Obama. Ativistas do Black Lives Matter dizem que lhes está a ser negado o direito a manifestarem-se pacificamente

Centenas de manifestantes foram detidos em várias cidades dos Estados Unidos este fim de semana, durante protestos contra as mortes de homens negros às mãos da polícia. Só no sábado à noite, 125 pessoas foram detidas em Baton Rouge, no Louisiana, onde na semana passada Alton B. Sterling, um afro-americano de 37 anos, foi abatido por um agente na madrugada de terça-feira, depois de ser forçado a deitar-se no chão sem motivo aparente enquanto vendia discos.

Veículos militarizados, gás lacrimogéneo e granadas de fumo foram usados em vários dos protestos organizados pelo movimento Black Lives Matter em várias partes do país após as mortes de Sterling e de Philando Castile, outro negro, de 32 anos, que foi abatido durante uma operação stop em frente à mulher e à filha ao tentar tirar do bolso a carta de condução e o livrete. Nessa cidade, cerca de 100 pessoas foram detidas entre sábado e domingo.

A situação nas ruas intensificou-se depois de, durante uma manifestação pacífica em Dallas na madrugada de sexta-feira, um homem ter feito uma emboscada a agentes da polícia que estavam a cobrir o protesto, matando cinco a tiro e ferindo outros seis. O suspeito, identificado como Micah Johnson, um soldado de 25 anos acabado de regressar de um ano no Afeganistão, foi abatido depois de várias horas de negociações com a polícia.

Reagindo aos cenários de desastre em algumas das manifestações, Barack Obama veio pedir calma e contenção aos ativistas do Black Lives Matter, dizendo que "sempre que qualquer um de nós, dos que estão preocupados com a equidade no sistema de justiça criminal, ataca agentes da polícia, está a prejudicar a causa".

Uma investigação em curso desde sexta-feira mostra que Johnson estava a preparar algo maior quando atacou o grupo de agentes, disse na noite deste domingo David Brown. De acordo com o chefe da polícia de Dallas, os investigadores encontraram na casa do veterano do exército equipamento para fazer bombas e "provas escritas" de que estava a preparar ataques "grandes o suficiente para terem efeitos devastadores em toda a cidade e na zona norte do Texas", disse Brown. "Estamos convencidos de que o suspeito tinha outros planos e que achava que estava a fazer o que era certo", ao "matar polícias para nos fazer pagar pelo que via como esforços das autoridades de segurança para punirem pessoas de cor".

Entre os detidos de sábado em Baton Rouge estava DeRay Mckesson, um líder proeminente do movimento Black Lives Matter nos EUA, que foi levado para a esquadra sob acusações de bloquear uma estrada apesar de o live streaming do protesto que estava a fazer quando foi detido mostrar que ele estava fora da faixa de rodagem. McKesson foi libertado já na madrugada desta segunda-feira, pendendo sobre ele a acusação de "simples obstrução de uma via de comércio".

Por causa disto, muitos manifestantes queixaram-se de mais discriminação no tratamento do movimento, maioritariamente negro, pela polícia. "Em cidades espalhadas pela América, a polícia está a repsonder a protestos pacíficos com provocações, violência e detenções inconstitucionais", disse Samuel Sinyangwe, ativista do grupo Campanha Zero e amigo próximo de McKesson.