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Bombardeamentos fazem dezenas de mortos na cidade síria de Alepo

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AFP

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos acredita que os ataques aéreos foram levados a cabo pelo regime sírio, apoiado, desde setembro do ano passado, pelos seus aliados russos

Helena Bento

Jornalista

Pelo menos 22 pessoas morreram na sexta-feira em Alepo, no norte da Síria, na sequência de vários bombardeamentos sobre a cidade, segundo números da televisão árabe Al-Jazira.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR, na sigla em inglês) - grupo independente com sede em Londres e com uma rede de informadores no terreno - acredita que os ataques foram levados a cabo pelo regime sírio, apoiado, desde setembro do ano passado, pelos seus aliados russos.

O aumento da violência ocorreu horas antes do fim da trégua de 72 horas decretada pelo regime sírio, a propósito das celebrações do Eid al-Fitr, o feriado religioso que marca o fim do mês sagrado do Ramadão. Entre as vítimas, encontravam-se uma criança e sete mulheres.

Os bombardeamentos alcançaram também a cidade síria de Darkush, perto da fronteira com a Turquia, na província de Idlib. Dezenas de pessoas ficaram feridas, segundo o Observatório Sírio. Darkush está, relembre-se, sob controlo da Frente al-Nusra, o satélite da Al-Qaeda na Síria.

O regime do Presidente sírio Bashar al-Assad está cada vez mais próximo de cercar Alepo, referiu Zeina Khodr, correspondente da Al-Jazira no local. Organizações não-governamentais e de apoio humanitário temem que um eventual cerco do regime venha a colocar em perigo a vida das cerca de 300 mil pessoas que vivem em Alepo. “Isso iria causar mais sofrimento numa cidade que já se encontra devastada pela guerra”, afirmou a repórter. “As pessoas têm medo de um eventual cerco. A principal estrada de acesso à cidade está neste momento fechada. Devemos ter medicamentos e bens alimentares para um mês”, disse à televisão árabe uma ativista residente na cidade.

Cerca de 600 mil sírios vivem em regiões cercadas pelo regime sírio, segundo números das Nações Unidas, que é acusado de privar milhares de pessoas de ajuda humanitária em locais controlados pela oposição. São já 18 as cidades que se encontram nestas condições.

James Denselow, analista, escrevia há dias no site da Al-Jazira que o destino de Alepo será semelhante ao das outras cidades cercadas pelo regime sírio. “Como vimos em locais como Yarmouk ou Darayya, áreas urbanas com presença de combatentes da oposição são ‘suavizadas’ através da fome e das táticas de cerco. Portanto, o panorama humanitário, já de si aterrador pela sua dimensão e tragédia, irá piorar ainda mais.”