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Suspeito do abate de cinco agentes da polícia em Dallas “está morto”

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Atirador que disse ter espalhado bombas na cidade texana e que estava barricado há várias horas foi “neutralizado", diz chefe do departamento da polícia. Pelo menos outros três suspeitos foram detidos e estão a ser interrogados

Um dos homens suspeito de ter abatido cinco agentes da polícia de Dallas, no Texas, e ferido outros seis agentes e um civil "foi neutralizado" pelas 3h da madrugada, hora local (mais seis horas em Lisboa) depois de várias horas barricado num edifício do centro da cidade.

Citado pela estação de televisão local KXAS, do grupo NBC, o chefe do departamento da polícia de Dallas, David Brown, disse que o homem foi abatido pelas autoridades depois de ter ameaçado que "o fim estava a chegar" para os agentes. O tiroteio ocorreu no rescaldo de uma manifestação pacífica contra a violência racial pelas forças de segurança dos EUA, acompanhada de dezenas de outros protestos em várias cidades do país na quinta-feira à noite após dois afro-americanos terem sido abatidos pela polícia em apenas 48 horas apesar de não representarem qualquer ameaça iminente.

Neste momento, não se sabe quantos suspeitos estão a ser interrogados pela polícia, havendo indicações de que pelo menos três homens foram detidos e que uma mulher vista a transportar um saco camuflado para um carro, arrancando depois a toda a velocidade, foi travada pelas autoridades e está a ser interrogada no local juntamente com outros dois passageiros.

Onze agentes da polícia foram baleados bem como um civil por "snipers" que atiraram sobre a força policial "a partir de posições elevadas". Segundo Ismael Dejesus, um cidadão que estava instalado num hotel da baixa de Dallas à hora dos disparos e que filmou partes do tiroteio, os suspeitos pareciam estar organizados e armados com carabinas AR-15.

Pelas 2h da manhã locais, uma hora antes de o suspeito ter sido abatido pela polícia, Brown avançou em conferência de imprensa que o homem, instalado no segundo piso de um parque de estacionamento no centro de Dallas, estava a "recusar-se a cooperar" com as autoridades.

"O suspeito com quem estamos a negociar disse aos nossos negociadores que o fim está a chegar e que vai ferir e matar-nos, aos agentes de segurança, e que há bombas espalhadas por toda a baixa, portanto estamos a ser muito cuidadosos com as nossas táticas, para não colocarmos os nossos agentes nem os cidadãos em risco", disse Brown.

Todos os relatos de correspondentes e manifestantes no local dão conta de que o protesto organizado pelo movimento Black Lives Matter [as vidas dos negros também importam, numa tradução livre] decorreu de forma pacífica durante várias horas, com fotografias divulgadas nas redes sociais a mostrarem um ambiente ameno e alguns agentes da polícia a posarem para a fotografia com manifestantes. Pela meia-noite, dois ou mais homens instalados em pisos superiores de edifícios das redondezas começaram a abrir fogo sobre a polícia, baleando onze agentes. Cinco morreram e outros seis estão internados no hospital.

Na mesma conferência, o chefe da polícia explicou que uma mulher foi detida após ter sido avistada pela polícia a levar um saco camuflado para um carro, arrancando de seguida. O veículo foi parado pelas autoridades, que a essa hora estavam a interrogá-la e aos outros dois tripulantes.

O tiroteio em Dallas acontece depois de dois homens afro-americanos terem sido mortos por agentes brancos em incidentes distintos desde terça-feira. Alton B. Sterling, um homem de 37 anos que estava a vender CD no centro de Baton Rouge, no estado do Louisiana, foi abatido a tiro por dois agentes na madrugada de terça.

Um dia depois, um vídeo divulgado na internet mostrava Philando Castile, um negro do Minnesota, a ser morto dentro do carro por um agente da polícia durante uma operação stop. O vídeo perturbador foi captado pela namorada de Castile, que o viu a esvair-se em sangue enquanto tentava explicar ao agente que o namorado já tinha declarado que tinha licença de porte de arma e que estava armado e que só estava a tentar tirar a carta de condução e o livrete do carro do seu bolso, a pedido do próprio agente, quando este o baleou.