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Polícia encontra arsenal militar em casa do atirador de Dallas

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Micah Johnson esteve na reserva do Exército norte-americano entre março de 2009 e abril de 2015 e serviu no Afeganistão.

HANDOUT/REUTERS

Material para fabricar bombas, coletes à prova de balas, armas, munições e um bloco de notas com táticas de combate apontadas. Micah Johnson, que matou cinco polícias na noite de quinta-feira, tinha tudo isto guardado em sua casa

Helena Bento

Jornalista

Material para fabricar bombas, coletes à prova de balas, armas, munições e um bloco de notas com táticas de combate apontadas. Foi isto que a polícia de Dallas encontrou em casa de Micah Johnson, o jovem afro-americano de 25 anos que matou cinco polícias na noite de quinta-feira, durante um protesto pacífico no centro da cidade.

Micah Johnson, soube-se também esta sexta-feira, esteve na reserva do Exército norte-americano entre março de 2009 e abril de 2015 e serviu no Afeganistão de novembro de 2013 a julho de 2014. Vivia na cidade de Mesquite (Texas) e não tinha cadastro criminal. As investigações sobre o tiroteio prosseguem. Várias pessoas entrevistadas pela polícia descreveram Micah Johnson como sendo “um solitário”.

O ataque ocorreu na quinta-feira, durante um protesto pacífico por causa da morte, esta semana, de dois afro-americanos às mãos da polícia, nos estados do Louisiana e Minnesota. Além das cinco vítimas mortais, três das quais já foram identificadas (Brent Thompson, 43 anos, Patrick Zamarripa, 32 anos e Michael Krol, 40 anos), outros sete polícias ficaram feridos. Dois civis tiveram também de ser socorridos, por apresentarem ferimentos. O tiroteio decorreu perto de Dealey Plaza, onde John F. Kennedy foi assassinado em 1963, no centro da cidade.

Além do atirador, que foi abatido pela polícia (com uma bomba-robô), crê-se que tenham participado no ataque outras três pessoas, entre elas uma mulher afro-americana, que se encontram detidas. Em conferência de imprensa esta sexta-feira de manhã, David Brown, chefe da polícia de Dallas, disse que o atirador, enquanto estava barricado num edifício no centro da cidade, afirmou que estava a agir sozinho e que o seu objetivo era “matar brancos, sobretudo polícias”. “Ele disse que estava cansado do movimento Black Lives Matter [as vidas dos negros interessam, numa tradução livre], dos recentes tiroteios com polícias, dos brancos”, disse David Brown, citado pela BBC.

Em declarações anteriores, o chefe da polícia de Dallas disse que a sua equipa tentou negociar durante várias horas com o atirador, antes de recorrer à bomba-robô. Este, contudo, ter-se-á recusado a cooperar. “Ele disse aos homens que estavam responsáveis pelas negociações que o fim estava chegar, que iria magoar e matar mais polícias e que tinha colocado bombas no edifício e no centro da cidade. Não nos restava outra alternativa senão fazer detonar a bomba”, afirmou David Brown.