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Internacional

Polícia apreendeu vídeo da execução de Alton Sterling por dois agentes “sem mandado nem autorização”

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Sterling era casado e tinha cinco filhos

Mark Wallheiser

Tensões estão a escalar nos Estados Unidos após dois novos casos de homens afro-americanos mortos por agentes brancos sem motivo aparente. Polícia de Dallas continua a negociar com um dos homens suspeito de ter abatido cinco agentes em manifestação contra a violência racial na quinta-feira à noite naquela cidade do Texas

O "Daily Beast" avançou na quinta-feira à noite que a polícia de Baton Rouge, no estado norte-americano do Louisiana, apreendeu um vídeo do abate de Alton B. Sterling, um afro-americano de 37 anos, por dois agentes da polícia "sem um mandado nem autorização", minutos depois de Sterling ter sido manietado, deitado no chão e abatido a tiro por um dos dois agentes brancos na madrugada de terça-feira.

Segundo Abdullah Muflahi, dono da loja de conveniência Triple S Mart frente à qual ocorreu o incidente, minutos depois de Sterling ter sido abatido vários agentes policiais entraram no seu estabelecimento e levaram o disco rígido que continha a gravação completa do que aconteceu. "Nunca me mostraram um mandado", disse Muflahi ao portal de notícias, explicando que um dos agentes, que se recusou a identificar-se, lhe garantiu que voltaria com uma ordem judicial de apreensão desse vídeo.

O "Daily Beast" contactou o gabinete do procurador distrital de Baton Rouge e o tribunal da cidade e apurou que nenhum mandado foi emitido até ao momento e que nenhum agente da força policial pediu que fosse emitido. Confrontado com pedidos do jornal online, um advogado do departamento da polícia começou por recusar-se a divulgar o vídeo captado pela câmara de vigilância do carro de patrulha dos agentes e a gravação de Muflahi sob o argumento de que está em curso uma "investigação criminal". Quando lhe foi dito que nenhum mandado foi pedido nem emitido, o advogado recusou-se a confirmar ou a negar essa informação.

Num dos vários outros vídeos divulgados na internet desde o incidente na terça-feira, captados por transeuntes em frente à loja de conveniência de Muflahi, vê-se os agentes Blane Salamoni — que integra a força policial de Baton Rouge há quatro anos e que é filho de Noel Salamoni, capitão do departamento de operações especiais daquela força policial — e Howie Lake II — com três anos de experiência — a confrontarem Sterling, que lhes diz que está farto de ser discriminado pelas autoridades.

Os dois agentes reagiram deitando o homem no chão, algemado, com pelo menos um deles a descarregar a sua arma de fogo sobre a vítima. De acordo com vários media, Sterling estava a vender CD na rua quando foi abordado pelos agentes. A polícia diz que recebeu uma chamada anónima a denunciar que um homem armado estava a ameaçar o queixoso frente à loja de Muflahi, no centro de Baton Rouge, e que foi por isso que enviou Salamoni e Lake ao local.

A morte de Sterling e o abate de outro afro-americano, Philando Castile, por um polícia branco na cidade de Falcon Heights, no Minnesota, esta quarta-feira, levaram na noite de quinta-feira milhares de pessoas às ruas de várias cidades norte-americanas, em protestos contra a violência policial e o racismo das autoridades organizados pelo movimento Black Lives Matter.

Não houve qualquer incidente nesses protestos, à exceção de Dallas, onde vários suspeitos instalados "como snipers" no cimo de edifícios do centro da cidade do Texas abriram fogo contra a polícia, matando cinco agentes e ferindo outros seis e um civil. A polícia está desde o início da madrugada desta sexta-feira (hora portuguesa) a negociar com um dos suspeitos, que diz ter espalhado bombas pela cidade.