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Aung San Suu Kyi proíbe uso do nome Rohingya, a minoria muçulmana oprimida há décadas na Birmânia

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Para a Nobel da Paz, proibir o termo Rohingya é uma forma eficaz de combater as tensões entre a maioria budista e a minoria muçulmana

© Jason Lee / Reuters

Estudo de universidade londrina concluiu em outubro que minoria étnica está a ser alvo de genocídio e que está à beira da “aniquilação total”

A líder da oposição birmanesa tornada líder-sombra do atual Governo do país proibiu há algumas semanas o uso do nome Rohingya como referência aos muçulmanos da pequena comunidade étnica oprimida e perseguida há décadas na Birmânia.

A decisão foi anunciada e defendida pelo Ministério da Informação, sob o argumento de que não usar o nome oficial da comunidade é uma forma eficaz de combater as tensões entre a maioria budista e a minoria muçulmana. A partir de agora, aponta o Executivo, qualquer pessoa ou instituição deve referir-se aos Rohingya como "pessoas do estado de Rakhine que acreditam no Islão".

"Tudo o que estamos a pedir é que as pessoas estejam cientes das dificuldades que enfrentamos", disse Suu Kyi, cujo partido venceu as eleições com maioria absoluta em março deste ano depois de décadas de poderio de uma contestada junta militar. "Precisamos de espaço para resolver" os problemas da nação, acrescentou.

Pela primeira vez, a Nobel da Paz e histórica líder da oposição e defensora dos Direitos Humanos torna-se a vilã para muitos dentro e fora da Birmânia, sobretudo para os cerca de um milhão de Rohingya que vivem na Birmânia com poucos ou nenhuns direitos reconhecidos pelo Estado e pela sociedade.

Em outubro, um estudo apresentado pela Iniciativa Internacional de Crimes Estatais da Universidade Queen Mary, em Londres, apontava que a minoria muçulmana Rohingya está a enfrentar "as últimas fases de genocídio", depois de décadas de perseguição pela maioria budista e pelas autoridades estatais.

Há um mês, Yanghee Lee, relatora de Direitos Humanos da ONU para a Birmânia, publicou um outro relatório onde denuncia que a população Rohingya está a ser privada dos direitos de nacionalidade e sujeita a tratamentos discriminatórios sistemáticos na Birmânia.