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Internacional

Tensão cresce nos mar do Sul da China

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EPA

MNE chinês avisa por telefone homólogo norte-americano para não interferir na questão das ilhas Spratly. A quatro dias da sentença de arbitragem sobre o conflito que opõe Pequim a Manila sobre a soberania do arquipélago, há manobras navais a decorrer

À medida que é esperada a sentença do Tribunal de Haia, sobre o conflito que opõe as Filipinas à China em matéria de águas territoriais, exercícios de retórica “musculada” fazem sentir-se na região. A decisão do Tribunal Permanente de Arbitragem está marcada para a próxima terça-feira, 12 de julho, e refere-se à disputa territorial que opõe Manila a Pequim. Além das Filipinas, Japão, Vietname, Malásia, Brunei e Taiwan também contestam as pretensões territoriais de Pequim, que está a construir bases militares e aeroportos em recifes e recifes e atóis numa região-chave das rotas de comércio internacional.
O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, pediu ao secretário de Estado norte-americano, John Kerry para não interferir na disputa territorial no mar do sul da China. O “aviso” foi feito dois dias depois de um alerta para a possibilidade de confronto militar ter sido defendido num editorial do Global Times, jornal do grupo Diário do Povo, o órgão oficial do Partido Comunista Chinês.

China quer neutralidade dos EUA

Numa conversa telefónica feita por iniciativa de John Kerry, Wang Yi disse ao seu homólogo ter esperança em que os EUA mantenham a promessa de manterem a neutralidade. O MNE chinês disse ainda que espera que Washington “ seja cuidadosa com as suas declarações” e que “não tome qualquer medida que viole os interesses de segurança da China”, de acordo com o comunicado oficial do MNE chinês. Wang Yi insistiu que o Tribunal de Haia não tem jurisdição para se pronunciar e que “farsa do tribunal arbitral, tem que acabar”. Para concluir que, seja qual for a decisão, Pequim vai “resolutamente salvaguardar sua soberania territorial e legítimos direitos marítimos”.
O telefonema foi confirmado também pela Secretaria de Estado norte-americana que, contudo, não revelou pormenores sobre o teor da conversa com Wang Yi.

Manobras navais

Para desespero de Pequim, Washington tem vindo a reforçar a sua presença na região com o aumento de navios patrulha e a participação em manobras navais conjuntas com o Japão, Coreia do Sul e Filipinas, por exercícios que ainda estão a decorrer. O objetivo norte-americano é assegurar a liberdade de navegação no arquipélago das Spratly e em toda a região meridional do Pacífico demonstração de força, a marinha chinesa entrou esta semana em manobras perto da ilha de Paracel, onde Pequim acaba de instalar uma base de mísseis.

Por meio de grandes aterros, a China tem vindo a construir ilhas artificiais sobre recifes e atóis que, de outro modo, ficariam submersos na maré alta. Nessas ilhas artificiais, está a a instalar aeroportos, bases militares e edifícios civis, reclamando para si a soberania das águas adjacentes.

O processo interposto pelo governo filipino em Haia contesta essa pretensão, e argumenta que algumas das ilhas artificiais chinesas estão dentro da suas águas territoriais nos termos da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O documento estabelece que um país exerça soberania até 12 milhas da costa e estabelece como Zona Económica Exclusiva de cada país as 200 milhas náuticas.