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Internacional

Regime sírio e rebeldes concertam trégua no Eid mas batalhas continuam

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Soldado deficiente do Exército Livre sírio caminha nas ruas de Daraya, Síria

Primeiro cessar-fogo para todo o país alcançado desde fevereiro entre aliança de grupos da oposição e o governo de Bashar al-Assad não trava lutas no terreno nem ataques aéreos

Uma aliança de grupos rebeldes da oposição síria chegou a um acordo com o Exército de Bashar al-Assad esta quarta-feira para se implementar em todo o território uma trégua de 72 horas, a propósito das celebrações do Eid al-Fitr, o feriado religioso que marca o fim do mês sagrado do Ramadão.

Esta quinta-feira de manhã, contudo, horas depois do acordo ter sido alcançado, as lutas no terreno e os ataques aéreos continuavam registar-se em várias partes da Síria, minorizando as esperanças de que o cessar-fogo pudesse vir a dar lugar a uma trégua mais significativa e prolongada, após cinco anos e meio de uma sangrenta guerra civil.

A trégua foi a primeira a ser declarada em todo o país desde fevereiro, quando um outro cessar-fogo negociado por potências estrangeiras para facilitar as negociações de paz e, em teoria, aceite pelos dois lados da barricada — à exceção de grupos como o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e a Frente Al-Nusra, ligada à Al-Qaeda — foi quebrado. As sucessivas tentativas de negociações de paz têm falhado desde então.

"O regime anunciou o cessar-fogo mas não se comprometeu com ele", disse uma porta-voz da delegação da oposição síria que tem participado nas negociações de Genebra, suspensas desde o início do ano. "Tem havido muitos bombardeamentos nas cidades de Douma e Daraya [sob controlo de grupos da oposição, perto de Damasco]."

Em comunicado, o alto comando do Exército sírio tinha declarado esta quarta-feira que "um regime de calma vai ser implementado em todo o território da República Árabe da Síria, por um período de 72 horas entre a 1h da manhã de 6 de julho e as 0h de 8 de julho de 2016". Horas depois, o Exército para a Libertação da Síria (ELS), na sua maioria composto por soldados que desertaram do exército, disse que ia respeitar a trégua em honra do Eid, mas apenas se as forças do regime a respeitassem também.

"Nós, os grupos armados revolucionários da Síria, acolhemos quaisquer esforços de cessar-fogo para o período feliz do Eid al-Fitr e declaramos que vamos respeitá-lo conquanto o outro lado faça o mesmo", disse o ELS num comunicado emitido esta madrugada. "Até agora, [o regime] não respeitou o que anunciou, tendo lançado uma série de ataques em várias áreas, hoje."

Numa mensagem enviada aos jornalistas, Islam Alloush, porta-voz da fação rebelde Jaish al Islam, também representada nas negociações em Genebra, foi mais longe: "O regime fez este anúncio com a exclusiva intenção de escapar a pressões internacionais. No terreno, não penso que nada tenha mudado."

Antes das acusações de desrespeito da trégua, o secretário de Estado norte-americano deu as boas-vindas ao anúncio de cessar-fogo, dizendo que ia dar início a discussões para o alargar. "Estamos a tentar que as atuais discussões resultem numa cessação de hostilidades mais duradoura, aplicável e responsável que possa alterar as dinâmicas no terreno", disse John Kerry numa conferência de imprensa em Tbilisi, na Georgia.