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Kim Jong-un colocado na lista de sanções dos EUA pela primeira vez

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Kim Jong-Un, líder da Coreia do Norte, durante uma parada militar em Pyongyang, em outubro de 2015.

ED JONES/Getty Images

Departamento do Tesouro norte-americano anuncia sanções económicas contra o líder da Coreia do Norte e outros dez cargos de topo do regime, por causa de abusos generalizados de Direitos Humanos no país, incluindo execuções extrajudiciais, trabalho forçado e tortura

Os Estados Unidos aprovaram sanções contra Kim Jong-un pela primeira vez desde que o jovem norte-coreano assumiu a liderança do país após a morte do seu pai Kim Jong-il, em 2011. Além do líder, outros dez altos cargos do regime foram incluídos na mesma lista negra pela sua responsabilidade direta numa série de abusos de Direitos Humanos.

De acordo com o Departamento do Tesouro, que fez o anúncio na quarta-feira à noite (madrugada desta quinta em Portugal), Kim e as outras dez personalidades de topo do regime de Pyongyang são responsáveis por abusos generalizados como execuções extrajudiciais, trabalho forçado e tortura nos campos de presos políticos de "um dos países mais repressivos do mundo", para além da censura nos media e no mundo académico e cultural, incluindo a acusação formal e condenação de pessoas que vejam filmes estrangeiros.

"Sob o regime de Kim Jong-un, a Coreia do Norte continua a infligir intolerável crueldade e sofrimento a milhões dos seus cidadãos", disse Adam Szubin, que lidera o combate ao financiamento de terrorismo e outros crimes dentro do Departamento do Tesouro.

As autoridades norte-americanas referem que o Ministério da Segurança Estatal da Coreia do Norte mantém, neste momento, entre 80 mil e 120 mil presos políticos em campos onde são sujeitos a torturas, execuções, abusos sexuais, trabalho escravo e fome. Para além de responsabilizar Kim pelos crimes, a administração norte-americana incluiu ainda na lista de personalidades sancionadas, entre outros, Choe Pu II, ministro da Segurança do Povo, Ri Song Chol, alto quadro no mesmo ministério, e Kang Song Nam, chefe de gabinete de Choe Pu II.

Kim Jong-un junta-se assim à lista de chefes de Estado de outras nações que os EUA já incluíram, em determinado momento, na sua lista negra, entre eles o falecido ex-Presidente do Iraque Saddam Hussein, Charles Taylor da Libéria e Robert Mugabe, que ocupa o poder no Zimbabwe há 36 anos.

"Com estes esforços, queremos enviar um sinal a todos os membros do Governo [norte-coreano] que possam ser responsáveis por abusos de Direitos Humanos, incluindo chefes e guardas de prisão, interrogadores e os que perseguem desertores, com o objetivo de que alterem o seu comportamento", disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, John Kirby, ao apresentar um novo relatório sobre os abusos de Direitos Humanos cometidos sob a liderança de Kim.

"O que este relatório faz é enviar uma mensagem às pessoas do regime norte-coreano, em particular aos funcionários de nível médio, de que caso se envolvam em abusos como a gestão de campos de concentração ou a perseguição de desertores, nós vamos saber e vocês acabarão por integrar a lista negra que vos deixa em clara desvantagem no futuro."