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Internacional

Chelsea Manning sem contacto com o exterior após rumores de tentativa de suicídio

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Bradley Manning é agora Chelsea Manning

Reuters

Advogados de defesa da militar, condenada a 35 anos de prisão por entregar documentos secretos do Pentágono à WikiLeaks, diz que Exército se recusa a dar-lhes informações sobre o que aconteceu e onde pára Manning

Os advogados de defesa de Chelsea Manning estão furiosos com as autoridades militares norte-americanas pelo facto de a oficial responsável por uma das maiores delações da história recente dos Estados Unidos estar a ser mantida sem contacto com o exterior há mais de 36 horas, após terem surgido os primeiros rumores não confirmados de que terá tentado cometer suicídio na prisão.

O súbito corte de comunicações com Manning, que está a cumprir 35 anos de prisão por ter passado documentos oficiais do Exército e telegramas diplomáticos à WikiLeaks, está a preocupar os que lhe são mais próximos.

O "The Guardian", onde a soldado transsexual assina uma coluna de opinião, avança que todos os pedidos de esclarecimento e detalhes apresentados pelos advogados estão a ser rejeitados pelo Exército. Em resposta aos pedidos persistentes do jornal britânico por mais informações, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos limitou-se a dizer em comunicado que Manning foi levada para o hospital nas primeiras horas da manhã de terça-feira e que já regressou ao quartel-prisão, onde "o estado de saúde do detido continua a ser monitorizado".

"Estamos chocados que um oficial [da prisão] de Leavenworth tenha contactado a imprensa com informação médica confidencial e privada sobre Chelsea Manning, sem que ninguém do Exército tenha dado uma ponta de informação à sua equipa legal", diz Nancy Hollander, a advogada que está a liderar esforços recentes de recurso à sentença "manifestamente abusiva" de 35 anos.

De acordo com a chefe da equipa de defesa de Manning, na terça-feira uma chamada legal e privilegiada com a sua cliente foi cancelada sob o argumento duvidoso de que "não era possível fazer a ligação" e que o mais cedo que poderá falar com Manning será na sexta-feira de manhã.

Os seis anos que a soldado, nascida Bradley Manning, já cumpriu em prisões militares de alta segurança têm sido marcados por acusações de violações de Direitos Humanos. Entre 2010 e 2011, enquanto esteve detida na prisão militar numa base da Marinha em Quantico, na Virginia, entretanto encerrada, Manning era sujeita a rotinas humilhantes pelos guardas como ser despida periodicamente durante a noite. Em agosto passado, foi ameaçada com tempo indefinido na solitária por ter na sua cela um tubo de pasta de dentes cujo prazo de validade já tinha expirado.