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Internacional

Abate de homem negro pela polícia enquanto vendia CD investigado pelo Departamento de Justiça

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Mark Wallheiser

População de Baton Rouge, no estado norte-americano do Louisiana, está mobilizada nas ruas há mais de 24 horas após ter sido divulgado um vídeo em que se vê dois agentes da polícia, brancos, a deitarem Alton Sterling no chão e a manietarem-no antes de descarregarem uma arma de fogo sobre ele

O Departamento de Justiça norte-americano vai abrir um inquérito de direitos civis à morte a tiro de um homem negro por dois agentes da polícia de Baton Rouge, no estado do Louisiana, após um dos vídeos do incidente ter sido visto e partilhado milhares de vezes na internet e na televisão, relançando o debate sobre as mortes de afro-americanos às mãos de uma força policial maioritariamente branca e preconceituosa.

A promessa de uma investigação "completa e transparente" à morte de Alton B. Sterling, de 37 anos, foi feita por uma série de autoridades do estado do Louisiana, desde o governador democrata John Bel Edwards a membros eleitos do Congresso estatal, entre a data do incidente, na madrugada de terça-feira e esta quarta-feira. "Tenho total confiança de que este assunto será investigado de forma aprofundada, imparcial e profissional", disse Edwards na quarta-feira à noite, ao anunciar que as autoridades federais vão assumir a investigação ao incidente. "Tenho sérias preocupações. O vídeo é no mínimo perturbador."

No vídeo, que terá sido filmado pelo dono da loja frente à qual Sterling estava a vender CD, vê-se os dois agentes a deitarem o homem no chão antes de pelo menos um deles disparar sobre ele. Os agentes foram alegadamente chamados ao local por um anónimo, que disse ter sido ameaçado por um homem negro de t-shirt vermelha com uma arma de fogo. Num dos outros vídeos do incidente que foram divulgados nas redes sociais desde terça-feira, vê-se um dos agentes a tirar qualquer coisa do bolso de Sterling.

Tal como uma série de outros casos recentes nos EUA, em que homens ou jovens negros foram abatidos pela polícia por alegadamente estarem armados, o caso gerou a fúria da população de Baton Rouge, com o governador do Louisiana a pedir calma. "Sei que pode ser difícil para alguns, mas é essencial que o façamos [ter calma]", disse Edwards. "Sei que os protestos vão continuar, mas é urgente que permaneçam pacíficos." Sandra Sterling, tia da vítima, também pediu calma. "Estou zangada, mas não o suficiente para magoar quem quer que seja."

Desde que o caso foi denunciado, os dois agentes responsáveis pelo incidente — identificados como Blane Salamoni, que integra a força policial de Baton Rouge há quatro anos, e Howie Lake II, com três anos de experiência — foram suspensos e colocados em licença administrativa até à conclusão do inquérito. O "New York Times" tentou ligar para o telemóvel de Salamoni e a chamada foi atendida por outra pessoa que não quis identificar-se e que declarou apenas "quando todos os factos forem conhecidos, veremos que eles fizeram o que tinham a fazer", antes de desligar. Blane Salamoni é filho de Noel Salamoni, capitão do departamento de operações especiais da polícia de Baton Rouge.

Na quarta-feira, no rescaldo dos primeiros protestos no Louisiana, um outro vídeo onde outro homem negro é visto a ser morto a tiro pela polícia, desta feita no Minnesota, ganhou tração nas redes sociais. Segundo a BBC, a namorada de Philando Castile, que assistiu ao incidente, diz que ele foi abatido ao tentar tirar do bolso a carta de condução.

Ao serem parados pela polícia, Castile terá explicado logo à polícia que tinha uma licença de porte de arma e que tinha uma arma consigo naquele momento. No vídeo divulgado na internet, vê-se Castile coberto de sangue e um agente fora do carro a apontar-lhe a sua arma, enquanto se ouve a namorada da vítima a dizer enquanto filma com o telemóvel: "Você disparou quatro balas contra ele, senhor agente. Ele estava só a tirar a carta de condução e registo de propriedade do carro, senhor agente."