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Protestos e greves no Zimbabwe para exigir meses de salários em atraso

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Bloqueios nos arredores de Harare

AARON UFUMELI / EPA

A oposição ao Governo cresce num país pouco dado a protestos. Uma greve geral convocada para esta quarta-feira promete paralisar o país

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Os veteranos de guerra associaram-se às manifestações de protesto cujo tom tem vindo a crescer no Zimbabwe. O alvo dos protestos é o Governo do Presidente Robert Mugabe e a acusação de políticas falhadas dirige-se ao partido na liderança, o ZANU-PF (União Nacional Africana do Zimbabwe), publica o site zimbabweano DailyNews.

“A crise que assola o nosso grande país é resultado de má governação e corrupção endémica e as suas consequências funestas estão agora à beira de consumir a nação”, declarou em conferência de imprensa Douglas Mahiya, porta-voz da Associação de Veteranos da Guerra de Libertação Nacional do Zimbabwe.

Os professores, médicos e enfermeiros estão desde esta terça-feira em greve de protesto por não receberem os seus salários há mais de um mês. Ainda que o Governo continue a prometer a regularização dos salários em meados deste mês de julho, os manifestantes denunciam a falta de dinheiro crónica, que tem levado a sucessivas desvalorizações da moeda e até à emissão de dólares zimbabweanos.

A greve destes setores da função pública antecipa uma greve geral convocada por ativistas para esta quarta-feira. As acusações ao Executivo denunciam o mau estado da economia do país e a alegada corrupção do Governo.
“Os funcionários públicos passam meses sem receber e não reagem. Deposita-se dinheiro nos bancos locais, um processo instantâneo, mas passam-se dias em filas, senão meses, para levantar uma fração desse dinheiro”, lê-se numa coluna de opinião do jornal “New Zimbabwe”.

Tumultos crescentes

As forças de segurança dipararam gás lacrimogéneo e canhões de água para tentar deter um surto de violência nas manifestação que reuniu milhares de condutores de transportes públicos na capital Harare. Os manifestantes bloquearem os acessos ao centro da cidade obrigando os trabalhadores a fazerem dez quilómetros e mais a pé.

Um repórter da Associated Press testemunhou na passada segunda-feira um grupo de manifestantes a espancarem dois polícias com paus, tirar-lhes os uniformes e os capacetes e fugirem de seguida com eles vestidos, descrevia o diário “The Guardian” na segunda-feira passada.

Nas últimas semanas tem-se assistido a cenas destas quasse diariamente alimentadas pela frustração da população perante a incompetência governativa. Robert Mugabe, que preside ao Governo do Zimbabwe desde 22 de dezembro de 1987 enfrenta cada vez mais oposição interna num país pouco dado a protestos como os que, em 1998, obrigaram a mandatar o exército para fazer parar os protestos contra a escassez de alimentos.

Em fevereiro deste ano, Mugabe comemorou o seu 92º aniversário com cerimónias públicas com pompa e circunstância, provocando reações muito negativas em vários setores da sociedade.