Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Piloto da EgyptAir tentou apagar fogo antes de o avião se despenhar no Mediterrâneo

  • 333

Christoph Schmidt / EPA

Análise aos dados registados pelo Cockpit Voice Recorder, uma das caixas negras do Airbus A320, mostra que terá havido um incêndio de dimensões desconhecidas numa casa-de-banho e no painel eletrónico central antes de o avião desaparecer dos radares a 19 de maio

Um dos pilotos do voo MS804 da EgyptAir que caiu no Mediterrâneo a 19 de maio em rota de Paris para o Cairo, provocando a morte das 66 pessoas que seguiam a bordo, tentou apagar um fogo pouco antes de o avião desaparecer dos radares.

Esta é, segundo o "Le Figaro", a última informação que a equipa de investigação conseguiu apurar ao analisar os dados de uma das caixas negras do Airbus A320, que foram recuperadas a sul da ilha grega de Creta em meados de junho e que estiveram a ser reparadas pelas autoridades em França antes de serem enviadas para o Comité egípcio de Investigação de Acidentes Aéreos.

Logo a seguir à reparação das duas caixas negras, as autoridades egípcias já tinham confirmado que houve fumo a bordo do voo MS804 com base em dados registados pelo Flight Data Recorder (FDR), que regista informações como a velocidade, a altitude e a trajetória do voo. A nova informação de que o piloto tentou apagar um incêndio de dimensões desconhecidas tem por base os dados registados pela outra caixa negra, o Cockpit Voice Recorder (CVR).

De acordo com as gravações do CVR, nos últimos três minutos antes de os controladores aéreos perderem contacto com o MS804 foi gravada uma sequência de sete mensagens que indicam que houve uma série de falhas a bordo, incluindo possivelmente um incêndio numa casa-de-banho e no painel eletrónico principal. Apesar de os detetores de fumo instalados no avião terem como função indicarem quando há incêndios a bordo, estes também podem ser ativados pelo tipo de condensação que ocorre quando há uma súbita descompressão na cabine.

Alguns dos destroços recuperados durante as buscas no Mediterrâneo já mostravam também sinais de danos por temperaturas altas e "fumo negro e denso" na secção frontal do Airbus A320.

Nenhum dos pilotos emitiu qualquer alerta de emergência antes de o avião perder altitude e se despenhar no Mediterrâneo, o que sugere que estavam ambos incapacitados ou demasiado ocupados a tentarem impedir o acidente.

A causa do desastre continua por apurar, com as autoridades francesas a manterem, para já, que ainda não foram encontradas provas que sustentem a versão de um atentado terrorista. Após as caixas negras terem sido recuperadas, a procuradoria francesa abriu uma investigação por homicídio involuntário, que continua em marcha.