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Internacional

Estados Unidos criticam “apropriação sistemática” de território palestiniano por Israel

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THOMAS COEX

Porta-voz do Departamento de Estado norte-americano diz que plano de construção de novas casas em colonatos da Cisjordânia e em Jerusalém Oriental representam “último passo de um processo sistemático de apropriação de terra”

O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano criticou na terça-feira à noite os planos do Governo israelita de Benjamin Netanyahu de aumentar o número de edificações em colonatos já existentes nos territórios palestinianos da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, que as forças israelitas ocupam ilegalmente desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

"A ser verdade, este será o último passo no que parece ser a apropriação sistemática de território [palestiniano], a expansão de colonatos e as legalizações de postos avançados que estão a minar as perspetivas de uma solução de dois Estados", disse John Kirby aos jornalistas, quando confrontado com os alegados planos do grande aliado dos EUA de expandir os colonatos ilegais na Palestina.

De acordo com uma fonte do Executivo hebraico à Associated Press, Netanyahu autorizou ontem os planos de alargamento dos colonatos de Ma'ale Adumim, onde 560 novas casas serão construídas, nos arredores de Jerusalém, a juntar a 200 novas casas na própria cidade, que Israel diz ser a sua capital.

Para além de ser o maior das centenas de colonatos que Israel construiu ao longo das últimas décadas nos territórios ocupados, Ma'ale Adumim está localizado no centro da Cisjordânia. Organizações de defesa dos direitos humanos como a israelita B'Tselem têm alertado que estes planos de expansão vão, na prática, acabar com a contiguidade entre o norte e o sul do território, anulando quaisquer possibilidades de uma solução de dois Estados.

De acordo com a mesma fonte, o novo plano do Governo de Netanyahu passa ainda por construir mais de 600 novas casas num bairro árabe de Jerusalém Oriental, a parte da cidade que foi atribuída aos palestinianos sob os Acordos de Oslo em 1993 mas que Israel continua a ocupar.

Os planos também foram criticados pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. "Isto levanta questões legítimas sobre as intenções de Israel no longo prazo, agravadas por contínuas declarações de alguns ministros israelitas que pedem a anexação da Cisjordânia", disse o porta-voz de Ban em comunicado.