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Varoufakis solidário com Portugal e Espanha contra sanções

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PETER KLAUNZER/ EPA

Antigo ministro grego das Finanças considera que as metas impostas por Bruxelas são inalcançáveis e que Portugal e Espanha não podem ser sancionados por isso. “Tais medidas só iriam aprofundar as crises económicas nestes países e levar mais cidadãos para o campo antieuropeu”, alerta Yanis Varoufakis

No dia em que se espera que o colégio de comissários tome uma posição, em Estrasburgo, relativamente a eventuais sanções para Portugal e Espanha por défices excessivos, Yanis Varoufakis deixou um apelo a Bruxelas: “Parem já de ameaçar ” os dois países ibéricos.

Num texto publicado esta terça-feira na página do Movimento para a Democracia na Europa 2025 (DiEM 25), criado em fevereiro pelo antigo ministro das Finanças grego, é defendido que as metas impostas pela Comissão Europeia são inalcançáveis e que Portugal e Espanha não podem ser sancionados por esse motivo.

“Bruxelas está a ameaçar Espanha e Portugal com a retirada, ou suspensão de fundos estruturais, porque os seus orçamentos nacionais ultrapassaram outra meta impossível de alcançar e sem sentido em termos macroeconómicos”, pode ler-se no post. A crise financeira em Itália, com vários bancos italianos a precisarem de resgate, como é o caso do Monte dei Paschi di Siena, também não é esquecida pelo DiEM 25. “Parem a simulação de afogamento [tortura] financeiro/orçamental de Itália, Espanha e Portugal agora”, escreve o movimento.

Afirmando que esse cenário só iria agravar a situação económica dos dois países, o Movimento para a Democracia na Europa 2025 adverte ainda que isso aumentaria o sentimento eurocético, em expansão na Europa. “O DiEM25 exige que a Comissão Europeia acabe ou desista de todas as ameaças para sancionar os governos de Espanha e Portugal com medidas punitivas. Tais medidas só iriam aprofundar as crises económicas nestes países e levar mais cidadãos para o campo anti-europeu”, acrescenta.

Relativamente à crise financeira em Itália, o movimento de Yanis Varoufakis exige que a “Comissão Europeia (CE) e o Banco Central Europeu (BCE) parem de forçar Roma a impor regras que reflectem o falhanço de colocar em conjunto em funcionamento a união bancária”.

Lembrando que já passou um ano desde o referendo na Grécia – cujos eleitores votaram não face à proposta dos credores – e que os britânicos rejeitaram agora a permanência o país na União Europeia (Brexit), o movimento sublinha que os resultados destas duas consultas populares evidencia que o “autoritarismo de Bruxelas, Frankfurt e Berlim são os principais solventes da UE.”

“A União Europeia será democratizada e as suas políticas económicas serão humanizadas. Caso contrário, irá desintegrar-se”, conclui.

Não é a primeira vez que o antigo ministro das Finanças grego aborda a situação portuguesa desde que deixou o governo helénico, tendo sempre evidenciado a convicção de que o executivo luso – apesar da boa vontade manifestada com o acordo à esquerda – não poderia deixar a austeridade porque está “obrigada a respeitar as regras europeias”.

Em entrevista ao “Business Insider”, em fevereiro, Varoufakis criticou o facto de Portugal ser apontado como um bom exemplo por parte de Bruxelas, sublinhando que o país é uma “bolha” e que isso só mostra a necessidade da UE dar “boas notícias”.

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