Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Segundo referendo ao Brexit é possível e seria legal, diz ex-procurador do Reino Unido

  • 333

Peter Macdiarmid / Getty Images

Sondagem recente da Opinium mostra que até 1,2 milhões de britânicos que votaram a favor da saída da União Europeia estão arrependidos da sua escolha

Um segundo referendo britânico sobre o futuro do Reino Unido dentro ou fora da União Europeia poderia justificar-se se se tornar claro que a opinião pública mudou em larga escala, alinhando-se agora contra o cenário Brexit que foi firmado na consulta popular de 23 de junho por 52% dos eleitores britânicos que foram às urnas.

De acordo com o ex-procurador-geral britânico, Dominic Grieve, em cartas que enviou a um eleitor e a que o jornal “The Independent” teve acesso, o resultado do primeiro referendo tem de “ser tratado com respeito” mas não necessariamente aplicado, sendo que uma segunda consulta poderá ser “democraticamente justificada” se se comprovar que a maioria da população assim o deseja.

“Temos de aceitar que o resultado do referendo representa, à data em que foi levado a cabo, uma clara manifestação da visão de uma maioria de que devemos abandonar a União Europeia”, defende numa das cartas o ex-conselheiro legal do Governo de David Cameron até 2014, cuja autenticidade foi confirmada pelo próprio ao jornal. “Numa democracia, tal resultado não pode simplesmente ser ignorado. O Governo e o Parlamento devem tratá-lo com respeito. [Mas] é claro que é possível que se torne aparente com a passagem do tempo que a opinião pública se alterou sobre o assunto. E assim sendo, um segundo referendo pode justificar-se.”

Na correspondência, Grieve também refuta a sugestão de que os apoiantes da UE não devem manifestar-se contra o resultado do primeiro referendo, defendendo que numa sociedade livre as pessoas podem e devem poder questionar a visão da maioria.

“Não tenho dúvidas de que a petição na qual está a participar e as outras formas de campanha que estão agora a ter lugar podem contribuir para um debate maior e mais positivo e eu encorajá-lo-ia a não desistir!”, escreveu ao eleitor não-identificado. “Numa sociedade livre não existe nada que nos obrigue a mudar de opinião só porque a atual maioria discorda dela. A minha continua a ser a mesma e vou continuar a defender aquilo que acredito ser o correto e o que se aproxima mais dos nossos melhores interesses.”

A revelação destas cartas acontece dias depois de uma nova sondagem da Opinium, que previu a vitória do Brexit, ter dado conta de que até 1,2 milhões de eleitores que votaram a favor da saída da UE estão arrependidos. Nesse inquérito de opinião, cujos resultados foram divulgados na sexta-feira, o instituto de sondagens apurou que até 7% da população que votou a favor do Brexit está arrependida e que a maioria só o fez como forma de protesto pela atual situação do Reino Unido.