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Regime chinês diz-se preparado para mais confrontos após “provocação” do Japão no Mar do Sul da China

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TED ALJIBE / GETTY IMAGES

Ministério da Defesa da China confirmou esta terça-feira que o espaço aéreo sobre as águas disputadas foi palco de um confronto com caças nipónicos em meados de junho. Pequim deu hoje início a sete dias de exercícios militares na região, antes de antecipada decisão de um tribunal internacional sobre um recurso de soberania apresentado pelas Filipinas

O ministro da Defesa da China confirmou esta terça-feira, ao primeiro de sete dias de exercícios militares no Mar do Sul da China, que há meio mês houve um confronto entre caças de Pequim e de Tóquio sobre as águas disputadas, durante uma patrulha rotineira daquele espaço aéreo no âmbito da zona de identificação de defesa aérea que a China criou em 2013.

Em comunicado, o Ministério chinês acusou os caças japoneses de fazerem uma aproximação aos veículos aéreos chineses a alta velocidade com um intuito “provocatório”, o que forçou os pilotos chineses a adotarem “medidas táticas” de retaliação, sem referir que medidas.

O confronto aconteceu a 17 de junho perto das ilhas do Mar do Sul da China que os dois países disputam há vários anos, batizadas Diaoyu por Pequim e Sensaku por Tóquio. “Tais atos provocatórios por caças japoneses podem facilmente causar acidentes no ar, prejudicando a segurança do pessoal dos dois lados e destruindo a paz e a estabilidade na região”, lê-se no comunicado. “Exigimos que o Japão cesse todos os atos de provocação.”

Também esta terça-feira, e para marcar o início dos exercícios militares em antecipação de uma importante decisão de um tribunal internacional sobre uma disputa com as Filipinas, o jornal do regime chinês “Global Times” avisou que mais confrontos podem ter lugar sobre o Mar do Sul da China até à próxima semana.

“As disputas no Mar do Sul da China têm sido bastante complicadas depois da forte intervenção dos Estados Unidos e agora um tribunal internacional também está envolvido, colocando mais ameaças à integridade marítima e à soberania territorial da China”, escreve na sua edição em inglês o jornal do grupo “Diário do Povo”, o órgão central do Partido Comunista Chinês (PCC).

Em causa está a decisão, aguardada para 12 de Julho, próxima terça-feira, do Tribunal Permanente de Arbitragem (TPA), com sede em Haia, sobre a disputa entre a China e as Filipinas pela soberania do arquipélago das Spratly, ilhas no Mar do Sul da China disputadas, total ou parcialmente, também pela Malásia, Taiwan, Vietname e Brunei.

“A China deve acelerar a construção das capacidades militares de dissuasão estratégica”, lê-se no editorial de hoje do “Global Times”. “Mesmo que a China não possa acompanhar militarmente os EUA a curto prazo, deve ser capaz de fazer os EUA pagar um custo que não podem suportar se interferirem na disputa do Mar do Sul da China pela força.”

O editorial termina com a declaração de que “a China é uma nação que ama a paz e que trata das suas relações internacionais com discrição, mas que não vai recuar se os EUA e o seu restrito grupo invadirem os seus interesses” no território que Pequim reivindica.