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Turquia envia 11 mil toneladas de ajuda humanitária para Gaza via Israel

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JACK GUEZ

Navio turco atracou este domingo no porto israelita de Ashdod, o que acontece pela primeira vez desde que dez ativistas foram mortos em 2010 pelas forças hebraicas ao tentarem fazer chegar ajuda aos palestinianos do enclave

Um navio turco que transporta 11 mil toneladas de ajuda humanitária para a população da Faixa de Gaza atracou no porto israelita de Ashdod, uma semana depois de a Turquia e Israel terem anunciado a retoma de relações diplomáticas depois de seis anos de congelamento.

É o primeiro carregamento de ajuda da Turquia para a população palestiniana do enclave a chegar a Israel desde que dez ativistas turcos foram abatidos pelas forças hebraicas em 2010 a bordo da flotilha da paz Mavi Marmara, enquanto tentavam fazer chegar ajuda humanitária a Gaza.

O navio Lady Leyla transporta comida, roupa e brinquedos, que serão distribuídos aos palestinianos do enclave de Gaza durante as celebrações do Eid, que marcam o fim do mês sagrado do Ramadão. As doações foram descarregadas em Ashdod e serão transportadas por via terrestre de Israel para a faixa.

"Isto marca a implementação imediata do acordo entre Israel e a Turquia", disse o porta-voz do Executivo hebraico Oren Rosenblatt no domingo. "Existe um esforço especial do Governo israelita para acelerar o processo para que os bens sejam entregues amanhã [hoje, esta segunda-feira] em Gaza ants do festival muçulmano Eid al-Fitr."

Para Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, o acordo alcançado a semana passada vai ajudar a trazer "estabilidade" ao Médio Oriente, mas segundo correspondentes em Israel e na Turquia, é improvável que as relações diplomáticas entre os dois países voltem a ser tão próximas como antes do seu congelamento, quando eram parceiros estratégicos.

Israel impôs um bloqueio económico à Faixa de Gaza em 2006 após o rapto de um soldado hebraico pelo grupo palestiniano Hamas, tido por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista. As medidas de bloqueio foram reforçadas por Israel e pelo Egito em 2007 após o Hamas ter expulsado os membros do grupo rival Fatah e assumido o controlo do enclave um ano depois de vencerem as eleições nos territórios palestinianos.

Israel diz que o bloqueio é necessário para impedir que o Hamas receba materiais que possam ser usados para fins militares, mas a comunidade internacional, e em particular a ONU, acusam o Estado hebraico de usar o bloqueio como "punição coletiva" contra a população palestiniana. Na semana passada, o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, voltou a criticar publicamente o bloqueio israelita a Gaza, referindo que Israel deve "ser responsabilizado" pela ação.