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Iraquianos culpam governo pelo ataque bombista que matou 213 pessoas em Bagdade

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© Khalid Al Mousily / Reuters

“Estamos a ser atacados enquanto eles estão seguros nos seus palácios. São eles que estão a deixar que o Daesh venha aqui matar pessoas”

O descontentamento civil está em crescendo no Iraque por causa dos falhanços do Governo em prevenir ataques terroristas como o que, este fim de semana, causou pelo menos 213 mortos, entre eles várias crianças, e cerca de 200 feridos numa zona comercial da parte oriental de Bagdade.

O ataque, reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), deu-se quando uma carrinha carregada de explosivos foi detonada no domingo no bairro comercial de Karrada, de maioria xiita, numa altura em que centenas de pessoas faziam compras e passeavam após o pôr do sol, a poucos dias do fim do mês sagrado do Ramadão.

"Todos os políticos do Iraque são responsáveis por estas explosões, incluindo Abadi", acusou uma habitante de Karada à Al-Jazeera em referência ao primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi "Não podemos gozar o Eid [al-Fitr, feriado que marca o fim do Ramadão]. Se não é o ISIS [Estado Islâmico] é a Al-Qaeda, e se não são esses dois grupos são os políticos corruptos deste país. Estamos a ser atacados enquanto eles estão seguros nos seus palácios. São eles que estão a permitir que o ISIS venha aqui matar pessoas."

Um dia depois do ataque, o mais mortífero deste ano no Iraque, as autoridades dizem que o balanço oficial de mortos pode aumentar, à medida que continuam a tentar retirar corpos dos escombros do edifício mais atingido pela explosão — onde existia um centro comercial com uma zona de diversão infantil, o que levou a que muitas mulheres e crianças perdessem a vida neste atentado. De acordo com a polícia, dezenas de vítimas morreram queimadas ou sufocaram com o fumo. Na manhã desta segunda-feira, as autoridades atualizaram o balanço para 213 vítimas mortais.

O primeiro-ministro condenou o ataque, declarando três dias de luto nacional após visitar o local. Ao final de domingo, centenas de iraquianos marcharam de Karrada até à residência oficial de Abadi, condenando os recorrentes falhanços da liderança política e das forças de segurança, que têm permitido que enormes quantidades de explosivos atravessem vários checkpoints militares até bairros civis de Bagdade.

Para Jan Kubis, enviado da ONU para o Iraque, o ataque marca uma tentativa do Daesh em vingar-se das contínuas perdas de homens e de território, menos de duas semanas depois de o grupo ter perdido Fallujah para as forças iraquianas. "Este foi um ato cobarde e odioso de proporções inigualáveis, que teve como alvo civis pacíficos nos últimos dias do mês sagrado do Ramadão", disse Kubis em comunicado.

O Daesh continua a controlar a cidade de Mosul, a segunda maior do Iraque e a capital de facto do pretenso califado islâmico no país. À Al-Jazeera, o político iraquiano Mowaffak Baqer concordou com o enviado da ONU, dizendo que o Daesh está "a recorrer a atos terroristas clássicos e tradicionais" em resposta à perda de território no Iraque. "Eles estão tão desesperados por aumentarem a moral dos seus combatentes, muitos dos quais estão a abandonar o grupo diariamente. Penso que ataques como este só vão aumentar", entre outros motivos para aumentar as divisões entre as comunidades xiita e sunita no Iraque.

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