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Emirados Árabes aconselham cidadãos a não usarem traje tradicional no estrangeiro por causa do terrorismo

Dan Kitwood

Conselho surge depois de um empresário do país ter sido detido nos Estados Unidos por causa do tradicional robe branco e lenço na cabeça, vestimenta que levou uma rececionista de hotel a chamar as autoridades por julgar tratar-se de um membro do Daesh

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) pediram este fim-de-semana aos homens do país que evitem usar o traje típico nacional quando viajam no estrangeiro, para não serem injustamente detidos por suspeita de ligações ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

O conselho oficial surge depois de um empresário dos Emirados ter sido detido em Avon, no Ohio, na semana passada após a funcionária do hotel onde estava hospedado chamar as autoridades por suspeitar tratar-se de um militante do Daesh.

Segundo o jornal dos Emirados "National", de língua inglesa, a rececionista do Fairfield Inn telefonou para o 911 após ouvir o homem a falar ao telefone no lóbi do hotel, descrevendo-o como "um homem suspeito com dois telefones descartáveis e coberto da cabeça aos pés".

O site "Gulf News", outro jornal dos EAU de língua inglesa, publicou fotografias do homem com o tradicional robe branco e lenço na cabeça a ser deitado no chão e algemado antes de ser levado pela polícia. Ao "National", o empresário em questão disse que a polícia o tratou de forma "brutal".

Numa mensagem emitida sábado nas contas oficiais em redes sociais, o Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Emirados aconselhou os "cidadãos a viajarem fora do país" a "não usarem a roupa formal enquanto viajam, sobretudo em locais públicos" por forma "a garantir a sua própria segurança". No comunicado datado de 2 de julho não houve qualquer referência ao incidente em Avon.

O vice-embaixador dos Estados Unidos no país foi chamado pelas autoridades para prestar esclarecimentos sobre "o tratamento abusivo de um cidadão dos EAU pela polícia do Ohio", com Ethan Goldrich a "pedir desculpa" pelo incidente e a garantir que já pediu esclarecimentos às autoridades do estado.

O autarca de Avon e o chefe da polícia local também já pediram desculpa pelo sucedido, com jornais locais a dizerem que o detido, identificado como Ahmed al-Menhali, de 41 anos, teve de receber tratamento hospitalar após desmaiar na sequência da detenção. Al-Menhali estaria no Ohio para receber tratamentos médicos, aponta o "National".