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“Consequência mais forte e concreta” dos Panama Papers será anunciada em 2017

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RODRIGO ARANGUA/Getty

“Le Monde” avança em exclusivo esta segunda-feira que os chefes de Estado e de Governo do G20 vão aprovar uma nova lista negra de paraísos fiscais e regulações financeiras mais estritas para combater crimes de evasão fiscal e lavagem de dinheiro na cimeira de julho de 2017 em Hamburgo

Os líderes do G20 vão aprovar uma nova lista negra mundial de paraísos fiscais e mais regras de cooperação no combate internacional à fraude, lavagem de dinheiro e evasão fiscal na cimeira de julho de 2017, que terá lugar em Hamburgo, na Alemanha.

A notícia sobre "a consequência mais concreta e mais forte" do caso Panama Papers – desde que o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), do qual o Expresso é parceiro, começou a divulgar os primeiros documentos secretos da sociedade de advogados panamiana Mossack Fonseca em julho – foi avançada esta segunda-feira pelo "Le Monde", que cita informações obtidas junto de fontes da organização dos 20 países mais ricos.

De acordo com o jornal francês, a nova lista inclui tanto pesos pesados da política como do mundo financeiro: "Uma dezena de Estados poderão ser incluídos nessa lista negra caso não aprovem reformas às suas leis e práticas, incluindo o Panamá, o Líbano, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrain e Vanuatu."

Um dos pontos-chave das medidas que o G20 vai anunciar nessa cimeira, dentro de um ano, são o que o jornal classifica de "importantes sanções financeiras", que passam por mexer nos impostos aplicados sobre quaisquer transações financeiras para e dos territórios que forem incluídos na lista negra.

Segundo as informações avançadas ao jornal francês, o G20 pediu à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) em meados de abril que propusesse um método de elaboração da nova lista negra, um que o comité de assuntos fiscais da organização transnacional já desenhou e aprovou. É esse método que será agora votado pelo G20 na cimeira de julho de 2017.

A planeada votação e o anúncio de uma nova lista negra de paraísos fiscais, na sequência do caso Panama Papers, marca um afastamento da anterior estratégia do G20 que, em 2011, anulou a lista negra de offshores como forma de não estigmatizar os países e territórios em causa e dar-lhes tempo para reformularem os seus modelos de negócio e as suas regulações financeiras.